Joias vínicas!

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Pode até parecer que há um certo exagero nesse título, mas é factível afirmar que muitos vinhos ostentam o status de autênticas joias, seja pelo alto valor que atingem no mercado, seja pela qualidade e raridade, capazes de despertar o interesse de ricos apreciadores e colecionadores ao redor do mundo.

Para levar ao extremo essa afirmação, basta mencionar o fato de que uma preciosa garrafa de Domaine de la Romanée-Conti (da excepcional safra 1945), perfeitamente adegada por um grande produtor da Borgonha, foi capaz de alcançar o valor recorde de US$ 558 mil (pouco mais de R$ 2,2 milhões) num leilão realizado em Nova York no ano passado.

Château Mouton-Rothschild 2000

É claro que nem todas as “joias vínicas” são capazes de atingir um patamar de preço tão elevado, digno de um diamante de muitos quilates, mas muitas delas atingem valores que impressionariam em qualquer joalheira.

As razões que levam alguns vinhos a atingir patamares de preço quase insanos são várias, mas podem ser concentradas em quatro fatores principais que se interconectam: origem, safra, qualidade e raridade.

A origem agrega um referencial histórico ao vinho, graças a um padrão qualitativo construído ao longo de dezenas (ou mesmo centenas) de anos. Por exemplo, um vinho oriundo de um vinhedo classificado como Grand Cru na Borgonha, sempre valerá muito mais que um simples Villages.

Henri-Jayer Vosne-Romanée Cros Parantoux 1985

A safra, conforme sua qualidade, que pode ser bastante variável nos vinhedos da Europa, pode adicionar mais uma boa parcela de valor ao vinho, ainda mais se essa qualidade for associada a um baixo rendimento nas vinhas, algo relativamente frequente.

O fator qualidade incorpora uma boa parte da origem do vinho, da reputação de sua safra, mas costuma ser determinada mesmo pela maestria de seu produtor. Citando mais uma vez a Borgonha como referência, um vinho de uma grande safra, elaborado num mesmo vinhedo Grand Cru, pode ter valor muito diferente de outro, produzido nas mesmas condições, mas pelas mãos de outro produtor mais renomado.

Esse exemplo é particularmente comum de ser notado no Clos de Vougeot, um vinhedo classificado como Grand Cru, cuja área total de 50,6 hectares está dividida entre mais de 80 proprietários. Em teoria, os parâmetros de preço deveriam ser parecidos, mas na prática, alguns podem custar o dobro de outros quando chegam ao mercado.

Case Basse Soldera Brunello di Montalcino 2004                  

Por fim, o aspecto raridade completa a equação capaz de potencializar substancialmente o preço de um vinho. Enquanto um grande château de Bordeaux é capaz de produzir algumas dezenas ou centenas de milhares de garrafas de seu melhor vinho por ano, uma pequena propriedade vinícola da Borgonha raramente passa de 10 mil garrafas anuais.

Assim, com o passar dos anos, o consumo desses vinhos reduz significativamente sua disponibilidade no mercado, multiplicando mais uma vez seus preços. Para “lapidar” por completo o valor dessas joias vínicas, a conservação e a procedência (que pode ser duvidosa) podem elevar ao extremo o preço alcançado por elas, vide o Romanée-Conti citado no início do texto.

   Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Blanco 1986

Mas nem todas essas joias vínicas estão fora do alcance dos bolsos de pessoas normais, financeiramente falando. Ainda que não sejam exatamente baratos, existem muitos rótulos de vinho recheados de qualidade, notoriedade e raridade, capazes de fazer brilhar os olhos de qualquer enófilo.

Listo aqui alguns vinhos que ainda podem ser encontrados (e comprados) com sem demasiado esforço; outros, cuja reputação e história merecem ser lembradas; sem deixar de citar alguns que, de tão raros e difíceis de encontrar, são carinhosamente apelidados de “unicórnios”!

Quem sabe um dia você não tem a sorte de se deparar uma “joia” dessas na sua taça?

FRANÇA
Domaine de la Romanée-Conti 1990
Henri-Jayer Vosne-Romanée Cros Parantoux 1985
Domaine Leroy Musigny 1978
Château Mouton-Rothschild 2000
Château Lafite-Rothschild 1982
Krug Champagne Clos d’Ambonnay 1996

ITÁLIA
Bruno Giacosa Barolo Riserva Faletto 1990
Conterno Monfortino Barolo Riserva 1978
Case Basse Soldera Brunello di Montalcino 2004
Sassicaia 1985
Giuseppe Quintarelli Amarone della Valpolicella Riserva 1997

ESPANHA
Marqués de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Blanco 1986
Toro Albalá Don PX Convento Selección 1946 (foto inicial)
Lopez de Heredia Viña Tondonia Gran Reserva Tinto 1970
Vega Sicilia Único Gran Reserva 1994

PORTUGAL
Casa Ferreirinha Barca Velha 1982
Caves São João Bairrada Reserva Particular 1975

ALEMANHA
J. J. Prum Wehlener Sonnenuhr Riesling Trockenbeerenauslese 1976

EUA
Screaming Eagle 1997

AUSTRÁLIA
Penfolds Grange 1998

BRASIL
Baron de Lantier Cabernet Sauvignon 1991

ARGENTINA
López Montchenot 20 años 1995

CHILE
Concha y Toro Don Melchor 1997

*Artigo publicado originalmente na Revista AG (do Jornal A Gazeta) em 25/08/2019.

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