Painel de Degustação: Ribera del Duero 2003 a 2005, o dia em que o "Vega" parou…

Data

Grandes tintos da Ribera del Duero – safras 2003, 2004 e 2005
Esses oito grandes vinhos espanhóis foram personagens de um dos painéis de degustação mais disputados dentre todos os que já participei na Desconfraria. Um verdadeiro “desfile de misses” que nos levou a uma série de desempates para escolher os melhores vinhos da noite. 
Numa degustação “duplamente” às cegas, onde sequer sabemos quais são os outros vinhos presentes (exceto aquele que cada um de nós levou) e temos uma sequência de taças em ordem embaralhada diante de cada degustador, essas escolhas tornam-se especialmente complicadas.
De um modo geral, todos os vinhos se apresentaram em alto nível, com taninos perfeitamente maduros, acidez e álcool bem equilibrados, deixando os vinhos com um caráter muito potente, mas adequadamente providos de frescor e elegância. A alta qualidade de todos os vinhos tornou nossa tarefa de fazer escolhas em algo bastante difícil. 
8º lugar: Vega-Sicilia Unico 2004 (RP97/WS94)
85% Tinto Fino (Tempranillo) e 15% Cabernet Sauvignon
De início já tivemos uma grande zebra, com a eliminação precoce do mítico Vega-Sicilia Unico (safra 2004), um vinho que certamente pagou pela juventude e devia estar numa fase de “patinho feio” como acontecem com algumas pessoas na pré-adolescência. Ninguém duvida que vá se tornar um grande vinho, mas não para beber já ou comparar com outros já mais prontos para o consumo. 
O título do post faz uma homenagem ao filme “O dia em que a Terra parou”, um clássico da ficção-científica do final dos anos 1950 que retrata a surpresa da chegada de um disco voador (com direito a robô e alienígena com aparência humana) nos EUA, em pleno auge da Guerra Fria. A última colocação do Vega-Sicilia nos causou uma surpresa equivalente.
7º lugar: Aalto PS 2004 (RP89/WS95)
100% Tinto Fino
Logo depois da surpresa com o Vega-Sicilia 2004, tivemos mais uma, o poderoso Aalto PS 2004 deixou a disputa, um vinho que historicamente sempre teve ótimo desempenho em degustações de anos anteriores, cuja safra 2005 foi a vencedora nos dois últimos anos.
6º lugar: María de Alonso del Yerro 2005 (RP96/WS78)
100% Tinto Fino
Em seguida, saiu da briga um vinho menos conhecido dessa região, mas nem por isso com menos qualidade: o María de Alonso del Yerro 2005, um vinho cuja avaliação comparada entre Wine Advocate e Wine Spectator chama a atenção, com impressionantes 18 pontos separando as notas de cada publicação (WS78 e RP96). Terá sido esse um dos “excessos” nas avaliações de Jay Miller, o degustador da WA para os vinhos da Espanha nesse período? 

5º lugar: Flor de Pingus 2005 (RP96)
100% Tinto Fino
O próximo da lista a deixar o painel foi o potente Flor de Pingus 2005, o segundo vinho do Pingus, um dos mais badalados e caros vinhos espanhóis da atualidade, elaborado pelo enólogo dinamarquês Peter Sisseck. Como nas rodadas anteriores, saiu após um desempate com o vinho a seguir.
4º lugar: Finca Villacreces 2005 (RP93)
86% Tinto Fino, 10% CS e 4% Merlot
O Villacreces foi o único outro vinho além do Vega-Sicilia a usar outras castas em seu blend (CS e Merlot) e pareceu ter encontrado um momento de consumo muito melhor que no ano retrasado, quando também apareceu neste painel, mas ocupou uma das últimas posições. É bem provável que a pitada de Merlot contida nele possa ter contribuído para esse melhor desempenho.
3º lugar: Pesquera Reserva Especial 2003 (RP93)
100% Tinto Fino
Abrindo o pódio, apareceu em terceiro lugar um outro velho conhecido de nossos painéis de Ribera del Duero: o Pesquera Reserva Especial 2003. Se em 2013 ele conquistou apenas num 7º lugar entre 9 vinhos degustados, um par de anos o aprumou o suficiente para que tivesse o destaque merecido. Tem ainda o mérito de ser o vinho mais barato do painel, na faixa dos R$300. 
2º lugar: Montecastro 2005 (RP93/WS93)
100% Tinto Fino
Depois de terminar rigorosamente empatado na última votação com o vinho vencedor, o Montecastro 2005, rótulo de uma jovem vinícola fundada em 2001 pelo famoso cantor Julio Iglesias, terminou em segundo lugar por apenas um voto dado em rodadas anteriores. Um vinho que se destacou pela excelente integração de seus elementos e está pronto para ser bebido. Creio que ele não tenha a mesma capacidade de evolução de outros vinhos deste painel, mas mereceu a posição alcançada no momento dessa degustação.
1º lugar: Pesquera Janus Gran Reserva 2003 (RP93/WS86)
100% Tinto Fino
O grande vencedor do painel foi outro vinho de Alejandro Fernandez, o Pesquera Janus Gran Reserva 2003, uma cuvée feita de uma maneira muito especial: metade das uvas é vinificada em lagares e a outra metade em tanques de aço inox, posteriormente mesclados e amadurecidos por três anos em barricas de carvalho americano. 
O nome “Janus” é uma homenagem do produtor ao deus da mitologia romana que tinha 2 caras, uma para olhar o passado e outra para ver o futuro. Parece que ele enxergou mesmo o futuro que o aguardava nesse painel…

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