O "crème de la crème" do 1º Encontro Franco-Brasileiro de Vinhos Naturais no Rio de Janeiro!

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O 1º Encontro Franco-Brasileiro de Vinhos Naturais, organizado pelos entusiastas Alain Ingles e Pedro Hermeto, já pode ser considerado um marco histórico entre os eventos de vinho ocorridos no Brasil, conseguindo a façanha de reunir num país estrangeiro os maiores expoentes franceses do vin naturel ao lado de nossos dedicados produtores nacionais que seguem essa mesma filosofia de trabalho na elaboração de vinhos.
Apesar de não ter tido a oportunidade de participar do jantar dos produtores, ocorrido na noite anterior, a feira realizada ontem no restaurante Aprazível, um cenário mais que perfeito para beber vinhos naturais, foi suficiente para considerar esse evento um acontecimento sem igual no cenário nacional.
Ao longo de quase seis horas de provas, pude experimentar praticamente todos os vinhos presentes no evento e também questionar alguns produtores sobre o terroir de onde eles extraem suas uvas e as técnicas necessárias para cuidar dos vinhedos e da elaboração dos vinhos sem o uso de aditivos químicos. 
Foi um verdadeiro tour por alguns melhores vinhos naturais da França produzidos por mestres como Pierre Overnoy, Jean Foillard, Marie Pfifferling, Catherine Breton e Mireille Meyer, e por brasileiros como Marco Danielle, Luiz Zanini, Lizete Vicari e Eduardo Zenker.
Dentre todas essas maravilhas vínicas produzidas com o maior respeito possível à terra e aos homens, elegi meu “crème de la crème” desse fantástico grupo de vinhos naturais. Uma tarefa difícil, pois de modo geral, a qualidade dos vinhos estava bastante alta. Eis as minhas escolhas:
Hors Concours: os Arbois Pupillin de Pierre Overnoy e Emmanuel Houillon
Com todo respeito aos demais produtores presentes no evento, esses vinhos estão absolutamente “fora da curva”, mesmo para os padrões do Jura. São vinhos com uma personalidade impactante aos sentidos de qualquer enófilo. Repletos de camadas aromáticas e gustativas que exigem um alto nível de atenção ao serem degustados. Vi muitos amigos deixando de lado a boa prática de descartar o vinho e bebendo sem arrependimentos. Tenho de confessar que depois de prová-los e descartá-los, voltei à mesa onde o simpático e paciente Pierre Overnoy servia seus vinhos e os bebi outras duas vezes!
Domínio Vicari: os vinhos quase “hippies” da Lizete
Esses vinhos são um retrato da personalidade da autora, leves, diretos e com uma aura de felicidade que se pode sentir na taça. Adorei conhecer o Ribolla Gialla, mas continuo encantado com seu Merlot 2009 e seus aromas de “fruta do mato”. Outro vinho que promete é seu novo Sauvignon Blanc, com um caráter bem diverso e que segue na mesma linha do que é produzido por Marco Danielle, do Atelier Tormentas.
Jean Foillard e seus Gamays magistrais
Confesso que só comecei a levar a sério os vinhos do Beaujolais e seus “Crus” depois de beber um Morgon “Côte du Py” do Foillard. Uma quebra de paradigma com uma região e uma casta cujos vinhos nunca me agradaram. O Fleurie apresentado por ele é muito bom, mas ele fica pequeno ao lado do trio de Morgons “Côte du Py”, “Cuvée Corcelette” e do magistral “Pi”, também conhecido como “3,14”.
Marco Danielle (Atelier Tormentas), a versão “Hors Concours” brasileira
Também respeitando o excelente trabalho desenvolvido pelos demais viticultores nacionais e mesmo sendo um pouco suspeito, acredito que os vinhos do Atelier Tormentas ainda estejam um ou dois degraus acima dos demais. Ele só apresentou no evento dois vinhos: um de seus aclamados Pinots (Piratini 2013) e o surpreendente Barbera (produzido em 2012), mas foi o suficiente para quem já conhece todos os vinhos que ele já elaborou. Bom mesmo foi poder bater um papo com ele, uma rara oportunidade para falar com alguém um pouco avesso a sair de seu terroir, na agradável cidade de Canela.
Catherine et Pierre Breton: mestres na arte de vinificar a Cabernet Franc no Loire
Não dá para falar em vinhos naturais do Vale do Loire, especialmente de Bourgueil, sem mencionar a dupla Catherine e Pierre Breton. O quarteto acima deu uma substancial amostra de como as particularidades de cada terroir e da idade das vinhas, conferem aos vinhos uma alma própria, mesmo sendo elaborados com a mesmíssima Cabernet Franc. Pessoalmente, fiquei fascinado pela “pegada” gustativa do Les Perrières. Grande vinho!
Era dos Ventos: um sopro de novidades…
A Era dos Ventos apresentou o novo Trebbiano “on the rock” 2014 e o Peverella 2012, vinho que já havia provado amostra da barrica algum tempo atrás, mas o grande vinho que eles trouxeram para a feira foi esse Merlot 2008. Vinho com taninos sedosos, com acidez bem expressiva e já num ótimo momento de evolução.     
Domaine l’Anglore e suas deliciosas alquimias do sul do Rhône
Eric e Marie Pfiffering fazem um ótimo trabalho com as castas típicas da região em sua base de Tavel, do lado oeste do rio Rhône. Cultivando vinhedos orgânicos e fazendo quase nenhuma intervenção em seus vinhos, os Pfiffering conseguem extrair a melhor essência de suas uvas. Do rosé Chemin de la Brune ao Tavel Cuvée Barricade, todos me agradaram pela pureza e pela falta de rodeios para alcançar os sentidos. Uma prova disso é que, ao contrário do que esperava, me encantei justamente pelo Tavel mais básico, um blend de Grenache, Cinsault, Carignan e Clairette. Um vinho de aparência simples, mas cheio de frescor e elegância, daqueles que somos capazes de beber ao longo de uma noite inteira!
Esses foram meus principais destaques entre os 14 produtores presentes (7 da França e 7 do Brasil), mas todos os demais que não aparecem nessa seleção não ficam muito aquém destes e merecem ser degustados com toda a atenção. Certamente, muitos deles irão compor as preferências de outros degustadores mais experimentados ou com um paladar um pouco mais exigente que o meu.

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