Vinhos de Bordeaux: Falem mal, mas falem de mim…

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Já há algum tempo venho observando um fenômeno, de certo modo, curioso. Existe uma corrente crescente de enófilos que decidiram eleger os vinhos de Bordeaux como fonte primária dos “males” que algumas técnicas da enologia moderna e, especialmente, as notas dos críticos trouxeram para o mundo do vinho. 
Não deixo de dar razão a eles no que tange aos excessos cometidos na maturação das uvas, no uso de carvalho novo, na “parkerização” dos vinhos de Bordeaux, nos preços inflados da última década decorrentes dos enófilos “novos ricos” vindos da Ásia, mas ainda assim acho que eles merecem o devido respeito e continuam a cumprir um papel extremamente relevante nesse mercado. Será que daria para imaginar uma história do vinho moderno sem Bordeaux? Creio que não…
Ainda que eu mesmo prefira beber vinhos de outras origens (e principalmente, estilos…) hoje em dia, continuo a apreciar com entusiasmo um boa taça de Bordeaux, especialmente se ele já estiver evoluído e no seu apogeu. 
Um dia os vinhos dessa região já foram conhecidos pelos ingleses como “claretes”, graças à sua tonalidade esmaecida, e atualmente nós até poderíamos chamá-los de “escuretes“, em virtude das características citadas anteriormente. Quem sabe como eles serão daqui há 50 anos… 
Porém, não faltam relatos sobre as mudanças que várias produtores espalhados pelo mundo tem feito para obter aquilo que em arquitetura seria traduzido como “menos é mais”. No caso dos vinhos, essa busca poderia ser descrita como descobrir a essência exclusiva de uma vinha, de uma casta em determinado terroir. Algo que lhe fosse sui generis, como por exemplo, fazem muito bem os viticultores da Borgonha, que se esmeram há centenas de anos para traduzir no vinho o quê de melhor cada pedaço de terra pode produzir. 
Sendo bem otimista, espero que essas mudanças (para melhor) ainda aconteçam de modo expressivo em Bordeaux, apesar da força que o “business” tem por lá…
Enquanto isso não acontece de maneira significativa, é bastante interessante saber quais são os vinhos de Bordeaux que mais tem despertado interesse nos consumidores e enófilos. Esse é um bom indicador para descobrir quais châteaux tem conseguido obter um papel mais relevante nesse disputado mercado. 
Graças ao amigo e enófilo Christóvão Oliveira, do site BeloVinho, tive acesso ao levantamento feito pelo site francês La Passion du Vin. Uma valiosa compilação sobre o número de comentários e pesquisas feitas no fórum sobre os châteaux de Bordeaux durante o ano de 2014. Os 15 vinhos mais comentados foram os seguintes (curiosamente, entre eles não estava nenhum Premier Cru Classé do Médoc):
1. Château Pontet Canet : 750.367 
2. Château d’Yquem : 477.312 
3. Château Sociando-Mallet : 401.544
4. Château Carbonnieux : 229.195 
5. Château Chasse-Spleen : 219.574 
6. Château Haut-Marbuzet : 219.268 
7. Château Montrose : 217.720 
8. Château Cos d’Estournel : 215.780
9. Château Poujeaux : 212.117 
10. Château Cornélie : 211.691 
11. Château Léoville Poyferré : 201.203 
12. Château Léoville Barton : 197.781
13. Château Lagrange : 181.733 
14. Château Reignac : 193.593 
15. Château Lynch-Bages : 187.861 

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