6 décadas de sublime evolução dos vinhos da Rioja em 6 garrafas (1955, 1964, 1973, 1982, 1991 e 2001)!

Data

Viña Pomal Reserva Especial 1955, Imperial Reserva 1964, Viña Real GR 1973,
Viña Tondonia Reserva 1982, Viña Tondonia GR 1991 e Faustino I GR 2001!
Degustar um grande tinto evoluído e elaborado por uma das bodegas tradicionais da Rioja é um grande privilégio para qualquer enófilo. Imagine então poder degustar seis deles, oriundos de seis décadas distintas, abrangendo desde a excepcional safra de 1955 até a recente 2001, outra safra que já pode ser considerada histórica para a região… Um raríssimo privilégio!
A degustação reuniu alguns dos rótulos mais clássicos da Rioja produzidos pela bodegas López de Heredia (Tondonia), CVNE (Imperial e Viña Real), Bilbainas (Pomal) e Faustino, com o intuito de apreciar a proclamada longevidade desses vinhos e avaliar a curva de evolução dos Riojas ao longo de quase 60 anos de amadurecimento (parte dele feita em tonéis de carvalho) nas garrafas.
Viña Pomal Reserva Especial 1955
Do alto de seus 59 anos de idade esse Pomal demonstrou uma saúde invejável, com uma coloração granada límpida e com leve halo de evolução alaranjado, um bouquet intenso e complexo, dominado por notas de couro, cedro, fumaça e folha secas. Paladar refinado e sedoso, com acidez ainda bem presente e taninos perfeitamente polidos. Finalizou longamente na boca, deixando saudades e marcando seu lugar na minha memória vínica.

Imperial Reserva 1964
A mítica safra riojana de 1964, que neste ano completa meio século, foi representada pelo rótulo clássico da Compañia Vinicola del Norte de España (CVNE), o Imperial, em sua versão Reserva. Para muitos degustadores esse foi o melhor vinho do painel, apresentando uma ótima estrutura e equilíbrio irretocável. Aromas complexos de terra úmida, caixa de charutos (cedro), tabaco e figo seco excitaram sem parar nosso olfato, fechando um ciclo sensorial capaz de impressionar qualquer enófilo. 

Viña Real Gran Reserva 1973
Esse foi o meu predileto, mesmo sendo de uma safra mediana, esse Viña Real me encantou pela intensa expressão de sua acidez, ajustada milimetricamente num corpo mais delicado que os anteriores e com taninos muito elegantes, lembrando um Borgonha de grande estirpe. O padrão aromático repetiu o que se observou nos 55 e 64, trazendo ainda um toque floral que não percebi nos outros. Um inesquecível senhor de 41 anos de idade no auge da forma vínica!

Viña Tondonia Reserva 1982
A partir desde 82 começamos a perceber uma mudança significativa no estágio de evolução desses Riojas, mostrando como a completa integração do estágio em madeira nesses vinhos ocorre muito lentamente. Esse Tondonia Reserva exibiu uma cor granada escura e brilhante que escondia totalmente suas três décadas de vida. Rico em aromas terciários (couro, cinzas e notas animais) e um delicioso fundo de frutas secas, o vinho se engrandece no paladar, oferecendo um conjunto harmônico, fresco e levemente picante. Um exemplo completo da tipicidade riojana.

Viña Tondonia Gran Reserva 1991
O Gran Reserva é o expoente máximo da tradição vínica da Tondonia e, confesso, meu rótulo predileto da Rioja. Esse “jovem” GR 91 apresentou aromas de frutas vermelhas maduras, baunilha e notas de lavanda. No palato, mostrou um frescor revigorante e bem balanceado por taninos “vivos” e um ligeiro amargor residual de seus 10 anos de repouso em tonéis de madeira. Um vinho ainda com algumas arestas e que demanda mais tempo de guarda para expressar todo seu esplendor.

Faustino I Gran Reserva 2001
Decidi inserir esse Faustino I no painel por razões que se complementam: estabelecer um “fiel da balança” para avaliar os demais vinhos, já que ele foi eleito o “Vinho do Ano” pela revista inglesa Decanter em 2013, um importante reconhecimento de sua qualidade; devido a sua fidelidade ao estilo tradicional de elaboração dos vinhos da Rioja e por ser da safra 2001, considerada como uma das melhores dos últimos 50 anos.
Como eu o havia degustado há menos de dois meses atrás e apreciado bastante (veja no link), achei sensato tê-lo como referência de qualidade e de entendimento do potencial de evolução dos Riojas. Uma decisão muito acertada, já que colocado lado a lado com seus irmãos mais evoluídos, podemos enxergar com muita clareza o papel que o passar dos anos desempenha naquilo que vamos sentir na taça.
Apesar de meu esforço em tentar descrever as características e nuances de cada um desses vinhos, posso assegurar que essa é uma tarefa quase impossível: a complexidade, riqueza e distinção desses vinhos só podem ser realmente percebidas diante de seu conteúdo propriamente dito.
Essa magnífica experiência só me permite reforçar um conselho: diante da oportunidade de apreciar um ou mais vinhos evoluídos como esses, não a perca por motivo algum… Viva la Rioja!

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