Rolha de cortiça, a grande embaixadora de Portugal que viaja através dos vinhos!

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Montados: as magníficas florestas de Sobreiros de Portugal
Se as ilustres caravelas portuguesas ostentam o mérito histórico de terem desbravado e dominado os oceanos desconhecidos nos séculos XV e XVI, as rolhas de cortiça podem pleitear para si o mérito de dominar, desde o século XVII, a preferência mundial como método de vedação das garrafas de vinho.
Apesar de ter sido usada de modo esporádico desde os tempos do Império Romano, o uso regular das rolhas de cortiça só se desenvolveu graças a um personagem célebre por sua contribuição na criação do Champagne, o abade beneditino Dom Pérignon, que encontrou nelas a solução ideal para vedar adequadamente as voláteis garrafas dos vinhos espumantes. Daí em diante, um pequeno passo foi suficiente para levar as rolhas de cortiça para todos os tipos de vinho produzidos ao redor do mundo.
Descortiçamento: a longa espera para a colheita do precioso “fruto” do Sobreiro

Esse predomínio quase absoluto ao longo dos últimos 300 anos como vedação ideal para os vinhos, permitiu que se constituísse um rico patrimônio florestal nos países onde o Sobreiro se desenvolve. Os “Montados”, como são conhecidas em Portugal, representam hoje nada menos que 23% de toda a cobertura de florestas do país, respondendo por praticamente 50% da produção mundial de cortiça.
Imaginar nos dias de hoje o cultivo e manuseio em larga escala de uma árvore que necessita de grandes áreas para se desenvolver e que demora 43 anos para produzir a primeira “safra” de cortiça própria para a produção de rolhas, é algo quase inimaginável no ritmo frenético da economia mundial.  
Secagem das placas de cortiça

Como digo no título desse texto, a rolha de cortiça é, a meu ver, a grande “embaixadora” de Portugal ao redor do mundo, chegando diretamente aos produtores de vinhos de toda a Europa, Américas, África, Oceania e Ásia, ou indiretamente a todos os países consumidores dos vinhos exportados por eles. Não é para menos que o Sobreiro seja considerado como a árvore nacional do país, dada a sua importância econômica e ambiental.
A complexidade, dependência e o longo tempo necessário para a obtenção das rolhas de cortiça levou a indústria do vinho a buscar nas últimas décadas por novas alternativas de vedação: rolhas feitas com material sintético, screwcaps de alumínio e até mesmo feitas com vidro e silicone. 
Sinceramente, creio que essas rolhas “alternativas” podem ser ótimas soluções, dotadas de grande viabilidade econômica para aqueles vinhos que mal terão tempo de descansar após saírem de suas vinícolas e serem dispostos nas gôndolas de lojas e supermercados. Porém, não as considero com a solução ideal para aqueles vinhos que merecem o zelo de repousam em nossas adegas à espera do melhor momento de serem consumidos.
Rolhas de cortiça: a natureza sabe fazer o melhor!
Eu poderia argumentar sobre essa afirmação com aspectos subjetivos simples como a tradição de seus mais de 300 anos de “serviços prestados” ou de caráter técnico, como a benéfica micro-oxigenação dos vinhos através das rolhas de cortiça, mas na condição de apreciador de vinhos, com uma longa trajetória desarrolhando garrafas, entendo que as rolhas de cortiça me proporcionam muito mais que isso.
As rolhas de cortiça também nos contam muito sobre o vinho que protegeram desde o engarrafamento, indicando se ele foi transportado e armazenado adequadamente, se o viticultor investiu num produto de qualidade, proporcional a de seu vinho, como no uso de uma rolha de comprimento suficiente para uma longa guarda (ou não), e até se ele pode ser consumido fracionadamente, como nas rolhas com tampa acoplada usadas em alguns tipos de vinho fortificado, por exemplo.
Rolhas de Barolos da safra 2000 retiradas 14 anos após o engarrafamento: o grande comprimento, qualidade da cortiça e baixo nível de absorção de vinho, dizem muito sobre eles…
Se as palavras e fotos não bastam, assista esse belo vídeo sobre a cortiça e as rolhas…
Vídeo: APCOR – Associação Portuguesa de Cortiça

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