Por dentro das vinícolas clássicas da Rioja: Compañia Vinícola del Norte de España (CVNE), aqui nasce o grandioso Imperial!

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CVNE: tradição vínica construída sem esquecer a importância da modernidade…
Para completar a “trilogia” de vinícolas visitadas em Haro, no coração da Rioja Alta, não poderia deixar de falar da Compañia Vinícola del Norte de España (CVNE), também conhecida como “Cune”, outra das mais tradicionais empresas do segmento e que atinge neste ano de 2014 a expressiva marca de 135 anos de existência.
Instalada no mesmo bairro histórico chamado “La Estación” onde também estão a Viña Tondonia e La Rioja Alta, a CVNE percorreu todas essas décadas produzindo vinhos fiéis ao estilo que fez a fama da Rioja, mesclando as uvas Tempranillo com doses calculadas de Graciano e Mazuelo, amadurecidas longamente em barricas de carvalho (americano e francês) e posteriormente nas próprias garrafas.
Nave Eiffel: aqui amadurecem os melhores vinhos da CVNE
Mesmo dotado de um espírito que valoriza a tradição vinícola da Rioja, a CVNE sempre esteve em busca de inovações para produzir seus vinhos com maior qualidade e eficiência. Talvez a maior demonstração disso seja a Nave Eiffel, projetada por Gustave Eiffel (o mesmo da torre que se tornou um símbolo de Paris) em 1890. O projeto do edifício, moderníssimo para a época, foi o primeiro da região a dispensar pilares de sustentação em seu interior, graças a estrutura metálica desenhada por Eiffel, possibilitando um melhor aproveitamento e manuseio das barricas em seu interior.
A porta do “cofre”…

Mais de um século de garrafas cuidadosamente preservadas…

… esperando o momento especial de ser abertas!
Produzindo vinhos de alta qualidade e reconhecida capacidade de guarda por tanto tempo, não seria difícil imaginar que a CVNE preservasse um bom estoque de vinhos antigos em suas adegas, mas a realidade é ainda mais surpreendente: as fotos acima ilustram um pouco do imenso tesouro líquido que ela possui, incluindo até mesmo garrafas do século XIX. Um espetáculo vínico cuja sensação eu não poderia descrever em palavras, apenas vivenciar.
Terminada a visita, vamos ao Imperial! Apesar de ter incluído em seu portfólio um vinho “ícone” e de caráter moderno chamado Real de Asua, lançado pela primeira vez em 1994, feito apenas com Tempranillo e amadurecido em pequenas barricas de carvalho novo francês, o mais importante rótulo da CVNE continua a ser ele (nas versões Reserva e Gran Reserva), sendo produzido apenas nas safras de qualidade excepcional.
Lançado há quase um século (nos anos 1920), o rótulo “Imperial” deve seu nome a uma história bem curiosa: os primeiros lotes do vinho que começaram a ser enviados para o mercado inglês foram envasados em garrafas com uma capacidade pouco menor que as atuais (750 ml), conhecidas na Inglaterra como “Imperial Pint” (cerca de 568 ml). O nome “Imperial” acabou pegando e logo foi incorporado pela CVNE…
Para os apreciadores dos vinhos da Rioja esse rótulo já era uma antiga e confiável referência, figurando entre os melhores da região. Mas em tempos de globalização, da difusão do conhecimento (e do gosto) através de mídias especializadas e da internet, bastou que a safra 2004 do Imperial Gran Reserva recebesse o posto de vinho nº 1 no ranking Top 100 da revista americana Wine Spectator em 2013 para que ele se tornasse um rótulo desejados por enófilos e consumidores em todo o mundo.
O resultado desse afã em torno do vinho gerou um fato inédito na história da CVNE: ela foi obrigada a lançar a safra 2007 alguns meses antes do habitual pelo simples fato de que todo o estoque comercial das safras 2004 e 2005 foi vendida numa velocidade nunca vista antes e as encomendas por novas garrafas não paravam de chegar.
Imperial Gran Reserva 1970 esperando que eu tenha coragem de abri-lo…
Deixando de lado essas “febres” causadas por notas elevadas e rankings de todos os tipos, fique tranquilo, o Imperial Gran Reserva é um vinho que evolui muito bem e merece ser degustado após uns bons anos de guarda. Se você não achar o 2004 ou 2005, fique certo que de estará muito bem servido com um 2001, 1999, 1996, 1994, 1982, 1973, 1970 ou o legendário 1964! Todos eles ainda podem ser achados no mercado internacional, provavelmente até mais facilmente que esse badalado 2004.
Ah, o mais importante: se passar pela Rioja, não deixe passar a oportunidade e faça uma visita nessa emblemática vinícola espanhola…

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