Painel de Degustação: Espanha exceto Ribera del Duero safras 2000 a 2002, um duelo da tradição x modernidade!

Data

O dia em que o “Davi” da Rioja derrubou o “Golias” do Priorato…
Eis um painel de degustação às cegas de vinhos espanhóis que trouxe um resultado bastante interessante (e surpreendente para alguns): sem a participação de vinhos da Ribera del Duero, vimos os potentes, macios e modernos tintos do Priorato ficaram para trás diante dos classudos e tradicionais tintos da Rioja.
Se de um lado tínhamos dois vinhos do Priorato de muito renome, especialmente o caríssimo L’Ermita de Álvaro Palacios, do outro haviam vinhos da Rioja de produtores com mais de um século de história vinícola como a Lopez de Heredia e Marquês de Riscal. O resultado desse encontro foi um esclarecedor duelo de estilos (moderno x tradicional) que convivem pacificamente na Espanha contemporânea.
Observando agora minhas anotações prévias ao conhecimento dos vinhos, ficou fácil perceber o quê levou ao resultado final deste painel: os vinhos do Priorato se destacaram pela concentração, maciez e fruta madura, mas pecavam no quesito acidez. Por sua vez, os vinhos da Rioja chamaram atenção pela maior complexidade aromática e um frescor abundante, alguns deles com ótimo corpo e taninos refinados (mas não sobremaduros), formando um conjunto mais agradável e equilibrado.
Assim, aquilo que pareceria uma grande surpresa no papel (notas da crítica) não chegou a causar espanto entre os degustadores: o L’Ermita, um “Golias” do Priorato e seu irmão Vall Llach, ficaram bem atrás do valoroso “Davi” Marqués de Arienzo Reserva Especial, um tinto muito bem equilibrado e gastronômico, daqueles que se bebem sem nenhum esforço. Detalhe: esse “Davi” custa 20 vezes menos que o “Golias”…
Essa foi a impressão média do grupo, pessoalmente, fiquei no “meio do caminho”, dando preferência ao vinho que pareceu aliar o melhor dos dois estilos: o Mas Estela Vinya Selva de Mar. Esse tinto da região catalã de Empordá mostrou exuberância de fruta madura e um frescor intenso, equilibrando esses elementos de maneira perfeita. Mesmo assumindo minha predileção pelo estilo dos Riojas, tenho de reconhecer minha preferência ainda maior por este vinho dentro do painel.
Veja como ficou a classificação final dos 8 vinhos do painel: 
8º colocado: Lealtanza Gran Reserva 2001 – Rioja
Composição: (100% Tempranillo)
7º colocado: Alvaro Palacios L’Ermita 2001 (RP96/WS92) – Priorato
Composição: 85% Grenache e 15% Carignan e CS
6º colocado: Vall Llach 2000 (RP96/WS90) – Priorato
Composição: 50% Carignan, 35% Merlot e 15% Cabernet Sauvignon
5º colocado: Viña Tondonia Reserva 2002 (RP91) – Rioja
Composição: 75% Tempranillo, 15% Garnacha e 10% Graciano e Mazuelo
4º colocado: Viña Tondonia Reserva 2001 (RP95/WS90) – Rioja
Composição: 75% Tempranillo, 15% Garnacha e 10% Graciano e Mazuelo
3º colocado: Mas Estela Vinya Selva de Mar 2001 – Empordá
Composição: 50% Grenache, 35% Syrah e 15% Carignan
2º colocado: Marquês de Riscal Gran Reserva 2001 (RP93/WS86) – Rioja
Composição: Tempranillo, Graciano e Mazuelo
O Campeão: Marqués de Arienzo Reserva Especial 2001 – Rioja
Composição: Tempranillo e Graciano
Surpresas como essas é que fazem a “graça” de uma degustação às cegas, sem a influência de rótulos famosos e notas da crítica especializada. 
A próxima parada da Desconfraria será feita em duas semanas entre os elegantes tintos da Borgonha produzidos nos villages da Côte de Nuits (safras 2006 a 2008). Ali os elementos determinantes são a excelência do produtor, a qualidade do terroir (villages, 1er Cru e Grand Cru) e também da safra. Aguardem!

Outros Artigos

Olá, fique mais um pouco. Sou seu Wine Hunter.

Se não encontrou o que realmente procurava, deixe que eu faça isso por você.

Quero te propor a melhor experiência em nosso Marketplace de vinhos!