Vinhos Inesquecíveis: López de Heredia Viña Tondonia Gran Reserva Tinto 1970!

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Esse merecia ter a garrafa emoldurada…
Como poderíamos descrever um vinho inesquecível? Parece fácil, bastaria encher o texto de adjetivos superlativos e pronto, seríamos capazes de externar com clareza tudo aquilo que sentimos ao degustar tal vinho. Mas isso está muito longe da realidade, talvez seria melhor nem tentarmos fazê-lo, sob pena de faltarem palavras justas…
Correndo o risco de não ser preciso e apenas com o intuito de dividir e perpetuar alguns vinhos bastante especiais que, às vezes, passam pela minha taça, escolhi esse admirável e clássico vinho da Rioja, o Tondonia Gran Reserva Tinto 1970, para abrir essa coluna dentro do blog Vinhos e Mais Vinhos.
Vertical de Tondonias Gran Reserva 1934-1976
A centenária Viña Tondonia está situada num dos terrenos mais privilegiados da Rioja, na margem direita do rio Ebro, nos arredores da pequena cidade de Haro. Dali saem as uvas para a produção do Tondonia Gran Reserva, uma das maiores joias da vinícola López de Heredia, que só é elaborado em safras realmente excepcionais como as de 1994, 1985, 1976, 1970, 1968 e 1954, sendo reconhecido mundo afora como um dos mais célebres vinhos desta tradicional denominação de origem espanhola. 
Particularmente no caso deste Tondonia Gran Reserva 1970, ele mereceu do crítico Robert Parker, conhecido por adorar vinhos muito encorpados e frutados, nada menos que 97 pontos, a maior nota já atribuída por ele para uma safra deste vinho.
Independente de todo esse reconhecimento, o que torna esse vinho realmente inesquecível para mim é sua capacidade de nos transportar para uma era vinícola que praticamente não existe mais, onde as soluções tecnológicas que vem sendo adotadas na vinificação há pelo menos três décadas ainda não existiam. Imagine elaborar um vinho cujo único método de controle de temperatura disponível durante o processo de fermentação era “abrir as janelas da vinícola”, nas palavras de Maria-Jose López de Heredia.
O resultado prático desse vinho liberto na taça é algo quase indescritível, tamanha a complexidade comprimida na garrafa ao longo de seus 44 anos de vida. Uma paleta completa de aromas de evolução surgiram desde o momento de sua abertura: café expresso, couro, tomilho e ligeiros traços de madeira velha e caramelo queimado, que se sucederam e se mesclaram pelas quase duas horas que levei para consumi-lo.
O que dizer do vinho no paladar? Como disse no início desse texto, faltam palavras em meu vocabulário capazes de precisar tais sensações: frescor, amplitude, riqueza, complexidade e elegância são óbvias demais. Vou deixar para a imaginação de cada um que já degustou vinhos assim, pensar nos adjetivos que daria para “obras de arte vínicas” como esse Tondonia GR 1970. O final de boca? Esse continua ainda presente na minha memória enquanto escrevo essas linhas… Inesquecível, nada mais!
Antes que alguém me pergunte se havia uma razão especial para abrir uma garrafa tão preciosa, confesso que depois de beber praticamente todos os vinhos ainda produzidos por esta vinícola, especialmente alguns tintos Gran Reserva das safras 1994 e 1985, faltava-me ir além e degustar aquele que “parece” ser o ápice da magnífica história vínica da López de Heredia. Acho que só terei certeza depois que degustar outras garrafas direto da fonte, algo que espero poder fazer daqui há alguns dias quando estiver visitando a região onde ele é produzido…
Para quem desejar conhecer mais sobre esse vinho tão especial, basta ler sobre todos os atributos de sua rigorosa e quase artesanal elaboração, descritos na ficha técnica (em PDF) fornecida pela López de Heredia:

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