Painel de Degustação: Tops Chilenos safras 2003, 2004 e 2005, grandes surpresas do início ao fim!

Data

O segundo painel de degustação da Desconfraria em 2014, com o tema Tops Chilenos (safras 2003, 2004 e 2005), reuniu alguns dos melhores vinhos do país para mais uma avaliação “duplamente” às cegas*. Ainda que alguns rótulos de grande destaque como o Almaviva e o Don Melchor não tenham participado, outros vinhos que considero os melhores do Chile, como o Santa Rita Casa Real e o Seña, estiveram presentes. Porém, o melhor da noite, revelou-se uma grande surpresa…
Dentre os 10 vinhos da degustação, dois rótulos se repetiram (como não sabemos o quê os outros irão levar, isso é relativamente comum), sendo duas garrafas de Seña 2004 e duas garrafas de Santa Rita Casa Real (um 2003 e outro 2004). 
Outro aspecto interessante deste painel foi a presença de um vinho 100% Shiraz e outro com mais de 60% de Tempranillo. Num país onde a Cabernet Sauvignon e a Carmenère, associadas com outras castas ou não, dominam o cenário entre os melhores vinhos do país, a participação deles trouxe um contraponto muito valioso para a degustação (ainda que proporcionando resultados diametralmente opostos).
9º e 10º colocados: Seña 2004
A presença de dois Señas 2004 nos últimos lugares sugere que a safra não deve estar amadurecendo bem. Pessoalmente, considero o Seña um dos três ou quatro melhores rótulos do Chile. Daí que vê-los nessa posição fortalece minha sensação de que a safra tem boa parte de influência nesse resultado. Anotei em ambas amostras: madeira não integrada, amargor acima do desejado, toques de goiaba verde (e o vinho nem é do Maipo).
8º colocado: Torres Conde de Superunda 2005
Outra decepcão! Palavra de quem levou o vinho para a degustação com o intuito de ver como um tempranillo chileno se comportava diante dos poderosos cabernets do Chile… Incomodou diversos degustadores pela concentração exagerada que chegava a manchar as taças. Muita fruta negra madura e só. 
7º colocado: Santa Rita Casa Real 2004
Considerando que no ano anterior três desses vinhos ocuparam as quatro primeiras colocações (safras 1999 e 2000), foi surpreendente ver um deles no final da fila. Pareceu-me um vinho “Maipo” demais, com muito pimentão, ameixa seca e mentol. Careceu da elegância que tanta fama lhe traz.
5º e 6º colocados: Domus Aurea CS 2005
Mais um vinho tipicamente identificado com o Valle del Maipo. A ótima safra 2005 contribuiu bastante para um vinho exuberante (até demais para meu paladar) e perfumado, bem no estilo que fez a fama destes vinhos mundo afora.
4º colocado: Château Los Boldos Grand Cru 2004
Um vinho que pode ser surpresa para muitos, mas representa um bem sucedida tentativa de reproduzir um típico corte bordalês no Chile. Mostrou-se bastante redondo e pronto para beber, sem excessos e com boa dose de elegância.
3º colocado: Santa Rita Casa Real 2003
Nesta safra ele voltou a mostrar do que é capaz. Mesmo “denunciando” a tipicidade do Maipo, ele veio para a taça exalando aromas de eucalipto, defumação e couro, com uma boca refinada e cheia de frescor. Foi meu segundo melhor vinho da noite! 
2º colocado: Montes Alpha M 2003
Neste ano ele se restabeleceu ao seu devido lugar (um 1999 foi o último no mesmo painel) e demonstrando que os 2003 estão chegando em seu apogeu. Carnudo e muito vibrante, com menos corpo que a média dos demais, e talvez por isso, mais agradável e equilibrado.
O campeão: Errazuriz La Cumbre 2004
A (boa) surpresa da noite! Acredito que só o tenha provado uma única vez antes desta ocasião. Desde o início da degustação ele foi destaque entre todos os outros. Na minha primeira passagem pelas taças já o tinha separado como o melhor do painel. Não foi por acaso que recebeu 8 dos 10 votos para melhor vinho do painel. Seguramente o mais elegante, sedoso e complexo vinho dentre os presentes. Confesso que fiquei admirado em ver um Shiraz chileno com um perfil tão refinado. Isso prova que a Errazuriz não brinca em serviço, nem vive apenas das glórias do excelente Don Maximiano, seu top baseado na Cabernet Sauvignon.
Acredito que o resultado final do painel tenha retratado de maneira bem realista o momento desses vinhos na taça. Deixou claro que 2003 e 2005, na média, proporcionaram uvas mais bem amadurecidas para a vinificação, mas que isso, por si só, não representa uma garantia. Prova disso é esse esplêndido Shiraz da safra 2004.
A próxima parada será daqui há duas semanas com vinhos da região espanhola de Ribera del Duero das mesmas safras degustadas aqui (2003, 2004 e 2005). Aguardem!
*Denomino esse modelo de degustação de “duplamente” às cegas porque além de não sabermos quais são os vinhos presentes (exceto o tema geral e o vinho que levamos), as taças dos participantes estão todas embaralhadas, ou seja, ninguém tem suas taças na mesma sequência que os demais, identificadas apenas por um número aleatório registrado numa planilha elaborada por alguém que faz o serviço dos vinhos e não participa da degustação.

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