Painel de Degustação: Pauillac e Saint-Estèphe 2003/2004, as surpresas de degustar às cegas…

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A degustação às cegas é um exercício fundamental para quem deseja identificar a real qualidade de um vinho, sem que nenhum tipo de sugestão causada pelo conhecimento prévio de seu conteúdo possa afetar a avaliação do degustador. Costumeiramente, ela é capaz de nos colocar diante de grandes surpresas, inclusive no que tange a nossa própria percepção. A degustação de alguns rótulos de Pauillac e St-Estèphe das safras 2003 e 2004, realizada na semana passada como um dos temas da Desconfraria, mostrou o quanto podemos nos surpreender com ela.
Dos oito vinhos presentes, dois eram repetidos (algo que, com sempre, ninguém sabia previamente), com predominância dos vinhos de Pauillac da safra 2004, justamente onde haviam dois rótulos duplicados. Depois do devido tempo de análise dos vinhos, seguimos para estabelecer quais apresentaram o melhor desempenho dentro do painel que continha vinhos escolhidos livremente por seus participantes. O resultado final é auto-explicativo…
8º lugar: Château d’Armailhac 2004 (Pauillac) RP89/WS90

7º lugar: Château Lynch-Bages 2004 (Pauillac) RP89/WS89

6º lugar: La Dame de Montrose 2003 (St-Estèphe) RP89/WS92

5º lugar: Château Montrose 2004 (St-Estèphe) RP91/WS92

4º lugar: Château Pontet-Canet 2004 (Pauillac) RP90+/WS93

3º lugar: Château Pontet-Canet 2004 (Pauillac) RP90+/WS93

2º lugar: Château Pichon Longueville Comtesse de Lalande 2004 (Pauillac) RP92

1º lugar: Château d’Armailhac 2004 (Pauillac) RP89/WS90

Reveladas em ordem crescente de preferência, as garrafas degustadas pelo grupo seguiam absolutamente em linha com as avaliações da crítica especializada (ilustradas aqui apenas para efeito de comparação), inclusive no Pontet-Canet 2004 (3º e 4º lugares), até que a segunda garrafa de Château d’Armailhac 2004 surgisse… Veio então a grande surpresa: o mesmo vinho eleito como o menos agradável, “puxou nosso tapete” e surgiu novamente para ocupar o posto de melhor vinho da noite!
Teorias à parte sobre o provável mau estado de uma das garrafas (confesso não ter identificado nada que a desabonasse), foi um resultado que surpreendeu a todos nós, ainda que quase tenha se repetido meses atrás com um Clos de Papes 2007 (ficou em 9º e em 1º…).
Por essas e por outras, gosto muito de realizar degustações às cegas, acredito que elas realcem bastante nossa percepção diante dos vinhos, evitando qualquer tipo de sugestionamento diante dos rótulos degustados. 
Por outro lado, acho válido o conhecimento prévio de alguns elementos desses vinhos tais como: casta, safra e/ou região produtora, contribuindo para que possamos esquadrinhar os vinhos dentro de um determinado rumo, sendo capazes de compreender melhor suas características.
O próximo painel de degustação da Desconfraria será realizado nesta semana: Pinot Noir dos EUA, safras 2006/2007. É só esperar pelas prováveis surpresas que ela irá nos oferecer…

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