Degustação Vertical Atelier Tormentas 2006-2012: uma história contada em 14 tintos!

Data

Tormentas, Prelúdio, Minimus Anima e Fulvias
Desde 2012, quando realizei num evento fechado da Vinum Brasilis, uma degustação vertical com os primeiros vinhos produzidos pelo Atelier Tormentas de Marco Danielle, eu já planejava fazer uma outra com seus vinhos de produção regular, já que até o lançamento do Minimus Anima 2005, nenhum de seus vinhos chegou perto das mil garrafas produzidas.
Com o pré-lançamento dos 4 novos vinhos do Atelier Tormentas feitos no início do mês, achei que era o momento perfeito para realizar a degustação. Ela reuniu, cronologicamente falando, os seguintes vinhos: Tormentas 2006, Tormentas 2007, Minimus Anima 2007, Prelúdio 2007 (feito em parceira com a Vinha Solo), Tormentas Ius Soli 2008, Minimus Anima 2008, Fulvia Cabernet Franc 2008, Fulvia Pinot Noir 2009, Fulvia CF 2010, Fulvia PN 2011 e as amostras (degustadas pela primeira vez) dos lançamentos Fulvia PN 2012, Barbera 2012, Corte Bordalês 2011 e Teroldego 2011.

Tormentas 2006 e 2007, Minimus Anima 2007 e Prelúdio 2007  
Minimus Anima 2008, Tormentas Ius Soli 2008, Fulvia CF 2008 e Fulvia PN 2009 
Fulvia CF 2010, Fulvia PN 2011 e amostras de Teroldego 2011, Corte Bordalês 2011, Barbera 2012 e Fulvia PN 2012
Com auxílio da tecnologia, usando uma ligação via skype, conduzi a degustação para um grupo de 12 privilegiados que puderam contar com o auxílio luxuoso do próprio Marco Danielle, que da cidade de Canela (RS), foi apresentando suas explanações sobre cada um dos vinhos degustados, detalhando suas escolhas e perspectivas de evolução de cada um dos vinhos, apresentados na seguinte ordem:
TORMENTAS FULVIA PN GARAGEM 2009 
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 990 garrafas
Composição: 100% Pinot Noir – Teor Alcoólico: 12,14% 
Comentários: seguramente o vinho mais comentado e bem sucedido já produzido pelo Atelier Tormentas. Linda cor cereja, com aromas de frutas vermelhas frescas, sous bois e  leve herbáceo.
TORMENTAS FULVIA PN GARAGEM 2011
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 1.600 garrafas
Composição: 100% Pinot Noir – Teor Alcoólico: 12% 
Comentários: ligeiramente diferente de seu antecessor, mostrou mais vigor e vivacidade que o 2009. Passou a ocupar o posto de melhor PN nacional que já bebi.
TORMENTAS FULVIA PN GARAGEM 2012
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 2.200 garrafas
Composição: 100% Pinot Noir – Teor Alcoólico: 13,3%
Comentários: bastante distinto dos anteriores. A inquietação do vinhateiro e a safra quente o levaram por um caminho diverso, deixando o vinho macerando por 5 meses e amadurecendo por 12 meses em barricas francesas. Nas palavras dele: “Minha opção por macerar mais visou ao mesmo tempo aproveitar que o perfil da fruta permitiu tal extração puxada de taninos maduros, e reforçar a personalidade e o ataque do vinho em boca, evitando a unidimensionalidade provocada por safras quentes.”
PRELÚDIO 2007
Vinhedo: Campos de Cima da Serra (RS) – Vinho feito em parceria com a Vinha Solo.
Composição: 10% Cabernet Franc, 20% Cabernet Sauvignon, 70% Merlot – Teor Alcoólico: 12,7%
Comentários: vinho de perfil leve, agradável, com aromas herbáceos e terrosos. Taninos um pouco duros, mas com boa acidez e final firme.
TORMENTAS FULVIA CF GARAGEM 2008 
Vinhedo: Campos de Cima da Serra (RS) – Produção: 1.400 garrafas
Composição: 100% Cabernet Franc – Teor Alcoólico: 12,95% 
Comentários: um vinho que ainda continua meio fechado e tímido. Seu maior destaque é o bom equilíbrio gustativo. Espero vê-lo sair da “casca” em mais alguns anos.
TORMENTAS FULVIA CF GARAGEM 2010
Vinhedo: Campos de Cima da Serra (RS) – Produção: 1.200 garrafas
Composição: Cabernet Franc – Teor Alcoólico: 12% 
Comentários: realmente muito superior ao 2008, capaz de lembrar vividamente a tipicidade de um tinto do Loire. A fermentação semi-carbônica e a longa passagem em madeira (24 meses), resultaram num vinho de ótima qualidade. Um dos melhores da noite.
TORMENTAS MINIMUS ANIMA 2007 
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 2.600 garrafas
Composição: Cabernet Sauvignon (35%), Tannat  de maturação supertardia (35%), Alicante Bouschet (20%), Merlot (10%) – Teor alcoólico:  13%
Comentários: um vinho que sempre gerou polêmicas, uns amando e outros odiando seus aromas meio passificados. Os anos de guarda lhe fizeram bem e o vinho está delicioso, com a textura de um ripasso.
TORMENTAS MINIMUS ANIMA GARAGEM 2008 
Vinhedo: Campos de Cima da Serra e Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 1.850 garrafas
Composição: Cabernet Franc (50%), Cabernet-Sauvignon (20%), Merlot (10%) e Alicante Bouschet (20%) – Teor Alcoólico 12,79%
Comentários: esse foi o mais discreto dos vinhos da noite, seus aromas contidos e pouco expressivos não chamaram a atenção dentro do painel. Paladar agradável, mas sem aquela sensação intrigante que sentimos nos demais vinhos. 

TORMENTAS 2006 
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 1.070 garrafas
Composição: Pinot Noir tardia (45%), Tannat (25%), Merlot (25%) e Alicante Bouschet (5%) – Teor Alcoólico:  14,8%
Comentários: o mais antigo dos vinhos mostrou-se ainda bastante inteiro, desmistificando a pouca capacidade de guarda de vinhos com baixo SO2. Aromas florais sutis e notas terrosas se ajustaram perfeitamente ao paladar refinado e sedoso do vinho. Outro de meus preferidos, ainda que muitos não o tenham apreciado tanto.
TORMENTAS 2007 
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 700 garrafas
Composição: 100% Merlot – Teor Alcoólico:   12,6% 
Comentário: essa era minha última garrafa! Foi um dos vinhos que bebi com mais prazer na ocasião. Apesar de Marco Danielle não ter feito mais nenhum vinho 100% Merlot, este mostrou que valeria a pena repensar isso. Vinho rubi escuro e brilhante, com aromas de geleia de frutas negras, baunilha e um toque de couro molhado. Voltei à taça várias vezes ao longo da noite e sempre encontrei um vinho muito agradável e instigante. Excelente!
TORMENTAS IUS SOLI GARAGEM 2008 
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 650 garrafas
Composição: Cabernet Sauvignon (60%), Merlot (30%) e Alicante Bouschet (10%) – Teor alcoólico: 13,04% vol
Comentários: confirmando uma garrafa que degustei semanas antes, foi o melhor vinho da noite na minha opinião. Límpido, equilibrado, com aromas intensos de terra úmida, cedro e um leve traço floral. Taninos finos, ótima acidez e um final de boca marcante completaram o quadro deste belo vinho.
TORMENTAS BARBERA GARAGEM 2012
Vinhedo: Caçapava do Sul (RS) – Produção: 1.060 garrafas
Composição: 100% Barbera – Teor Alcoólico: 13,1% 
Comentários: essa foi uma ótima surpresa oferecida por Marco Danielle. O primeiro da série “Ensaios Experimentais” que degustamos. Vinho de coloração rubi média e muito límpido. Destacou-se pelo ótimos aromas terrosos e florais, bem evidenciados ainda em sua juventude. Picante, fresco e com bom vigor tânico, agradou a todos. Espero que ele seja produzido mais vezes.
TORMENTAS TEROLDEGO GARAGEM 2011
Vinhedo: Encruzilhada do Sul (RS) – Produção: 476 garrafas
Composição: 100% Teroldego – Teor Alcoólico: 12,2% 
Comentários: por ter sido amadurecido durante 24 meses em barrica, seus aromas ainda se mostraram sobrepostos pela madeira. Um vinho que nas palavras de Marco Danielle, “vinhos construídos como se fazia antigamente em Bordeaux”, atingindo seu melhor momento de consumo dentro de 10 a 15 anos.
TORMENTAS CORTE BORDALÊS GARAGEM 2011
Vinhedo: Vacaria, Campos de Cima da Serra (RS) – Produção: 300 garrafas
Composição: Cabernet Sauvignon e Merlot – Teor Alcoólico: 11,6% 
Comentários: outro vinho amadurecido longamente em barricas (24 meses) que no momento ainda está longe de se revelar por inteiro. Faz parte da incessante busca do vinhateiro pelo vinho de estilo clássico, que precisa de ter o tempo como aliado para alcançar o seu melhor. Para esquecer na adega e se surpreender em alguns anos. Palavras de Marco Danielle…
Depois de provar todos esses vinhos, fica a certeza de que meu entusiasmo em acompanhar de perto os vinhos produzidos por este inquieto e excêntrico (outsider, como ele mesmo se proclama…) vinhateiro, vale muito a pena. Mesmo que uns o rotulem disso ou daquilo, o que me leva a admirar seu trabalho é justamente a sua “alma de artista”, sempre em busca da inatingível perfeição… Palmas para ele!
  

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