Casa Ferreirinha Reserva Especial: Vertical de 1974 a 1994, a evolução na taça do "Mini Barca Velha"!

Data

Casa Ferreirinha Reserva Especial safras 1974, 1977, 1980, 1984, 1986 e 1994
Desde o nascimento do primeiro Barca Velha há pouco mais de 60 anos (1952), a Casa Ferreirinha vem construindo uma sólida reputação na elaboração de vinhos tintos de mesa no Douro, uma região vinícola notabilizada mundialmente por seus vinhos fortificados. Mas não é apenas o Barca Velha que sustenta essa reputação dentro da vinícola, o Casa Ferreirinha Reserva Especial também cumpre parte desse papel.
É mais do que justo considerar o Reserva Especial como uma espécie de “Mini Barca Velha”, já que ele “nasce” como tal, sendo elaborado com as mesmas uvas regionais (Touriga Franca, Touriga Nacional, Tinta Roriz e Tinto Cão e Tinta Amarela) e apenas nas safras cujo potencial qualitativo promete o nível almejado para ser declarado como “Barca Velha”. Após cerca de sete anos de evolução do vinho (em barricas e nas garrafas), quando a decisão é finalmente tomada, pequenos detalhes técnicos e, muitas vezes, subjetivos, definem a rotulagem do vinho: Barca Velha ou Reserva Especial.
Mas ser declarado “apenas” Reserva Especial não é nenhum demérito! A maior demonstração do elevado rigor com o qual esse vinho é produzido pode ser dada pelo escasso número de vezes em que ele foi lançado. Desde a sua primeira edição em 1962, o Reserva Especial foi lançado em apenas 14 ocasiões (1962, 1974, 1977, 1980, 1984, 1986, 1989, 1990, 1992, 1994, 1996, 1997, 2001 e 2003). 
Depois de ter tido o prazer de provar as quatro últimas safras deste vinho ao longo dos anos (1996 em diante), sempre com ótimas impressões, me faltava conhecer o potencial de longevidade desse “Mini Barca Velha”. Assim, tive a sorte de conseguir reunir para esta degustação vertical um grupo de 6 das mais antigas e raras safras deste vinho, abrangendo 20 anos de sua história (1974-1994). Vamos a elas…
Casa Ferreirinha Reserva Especial 1974 (2ª safra produzida)
O nível do vinho no gargalo um pouco abaixo do desejado e uma rolha bastante molhada eram fonte de alguma preocupação antes da abertura do vinho. Apesar desses fatores negativos, o vinho não se mostrou deteriorado, apesar de nitidamente “cansado”. De coloração vermelho atijolado, mas já tendendo para um discreta tonalidade amarronzada, o 1974 ainda ofereceu uma interessante gama de aromas terciários (couro, terra úmida e alcatrão) após uma breve aeração nas taças. Na boca, taninos sutis mas ainda cativantes, com discreta acidez e um final delicado e persistente. Um vinho certamente abalado pelo tempo, pela guarda e pela longa viagem, mas ainda muito cativante.
Casa Ferreirinha Reserva Especial 1977 (3ª safra produzida)
Apesar da rolha naturalmente bastante úmida, o nível do vinho estava bem próximo do ideal. Esse grande ano para os Vinhos do Porto Vintage também parece ter sido decisivo para que, ao final da degustação, todos o considerassem o melhor vinho do painel. Cor vermelho vivo brilhante com leve halo atijolado, aromas pulsantes de trufas, couro, cedro, tabaco e balsâmico. Paladar firme, picante e complexo. Intensidade e persistência estonteantes para um vinho de 36 anos de idade. Soberbo!
Casa Ferreirinha Reserva Especial 1980 (4ª safra produzida)
Está bem destacado nesta foto algo que já ia esquecendo de destacar: o teor de álcool desses vinhos! Nada além dos 12,5%. Um deles tinha apenas 11,5%, nem melhor mais quando degustei um tinto com esse teor alcoólico… Eis mais um vinho em perfeitas condições, com o marcante visual vermelho vivo e um leve halo aquoso. Aromas de frutas secas, defumado, couro, madeira velha e final balsâmico. Paladar enxuto, com taninos polidos e firmes, acidez intensa e um certo caráter anguloso e “nervoso”, que nos faz prestar ainda mais atenção em seu conteúdo. Outro belo exemplar de um ano pródigo no Douro. 
Casa Ferreirinha Reserva Especial 1984 (5ª safra produzida)
Estilo bastante similar ao 1980, com destaque para os aromas pronunciados de café expresso, terra úmida e tabaco. Paladar exuberante, com taninos picantes, mas com acidez um pouco menos presente que na safra anterior, talvez para melhor se ajustar aos míseros 11,5% de álcool do vinho. Um exemplar perfeito para quem desejar conhecer o estilo clássico dos vinhos de antigamente.
Casa Ferreirinha Reserva Especial 1986 (6ª safra produzida)
Um jovem vinho de 17 anos de idade, começando a ganhar suas nuances de evolução, mas cheio do brilho da juventude. Aromas de terra úmida, couro, discreto mentolado e o típico traço balsâmico que parece caracterizar esses vinhos. Paladar agradável, fino, com acidez bem pronunciada e alguma rusticidade, sugerindo que ainda pode merecer um pouco mais de guarda. Muito bom, mas o menos expressivo do painel.
Casa Ferreirinha Reserva Especial 1994 (10ª safra produzida)

Apesar de ter sido possível colocar o 1989, o próximo na sequência lógica dos Reserva Especial, propositalmente optei pelo 1994. Eu desejava observar melhor a curva de evolução deste vinho em três períodos de 10 anos distintos (1974, 1984 e 1994) e também verificar o desempenho desta safra, espetacular na região do vale do rio Douro.
Apesar da coloração praticamente ser a mesma dos anteriores, mais concentrada e brilhante como seria de se esperar, senti um diferença significativa nos aromas, sugerindo que o vinho já exibia um estilo mais concentrado e vigoroso que os demais. No olfato, destacaram-se a pimenta negra, notas de torrefação e um toque de baunilha que ainda não havia observado. Paladar intenso, macio e quase “pronto”, fugindo da curva estilística de seus irmãos mais velhos. O resultado disso foi que, para muitos, foi o segundo melhor vinho, ainda que diferisse bastante dos demais. Pessoalmente, concordei com a avaliação, mas ressaltando que já era um vinho de outra “era”. Pode ser que eu encontre uma resposta ao degustar o 1989…
A impressão final que estes vinhos me deixaram foi que eles merecem plenamente o codinome “Reserva Especial” e não precisam ficar à sombra do irmão maior, o Barca Velha, já possuem personalidade própria. Por um terço (ou menos) do preço, você poderá experimentar um grande vinho do Douro, ainda feito à moda antiga, e capaz de trazer grande satisfação sensorial.

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