Direto da Taça: Verdelho 1850, comprovando a inesgotável longevidade dos vinhos Madeira!

Data

Madeira Verdelho 1850, indestrutível aos 163 anos de idade…
Pouquíssimos são os vinhos capazes de ultrapassar a marca de um século de vida em perfeitas condições, uma façanha que apenas alguns vinhos de sobremesa como os Sauternes ou vinhos fortificados como um Porto Vintage ou Madeira podem alcançar com regularidade.
O que dizer então de um vinho que ultrapassou com folga a barreira dos 150 anos e atingiu nada menos que os 163 anos em plena forma? Isso porque ele foi finalmente liberto de sua garrafa, mas certamente poderia ir muito mais longe…
Esse magnífico exemplar de Verdelho 1850 teve a honra de encerrar minha deliciosa passagem pelas terras portuguesas no início deste mês. Uma noite memorável em que tudo pareceu conspirar para que eu o libertasse de sua longa prisão. Primeiro ele teve de resistir ao sofrimento de passar décadas dentro de tonéis de carvalho sob o tórrido calor da Ilha da Madeira, depois ficou anos suportando o “peso” da poeira sobre os ombros da garrafa onde foi guardado, quase esquecido… Até que, graças ao fato de que outros dois restaurantes que pretendia ir estarem lotados, acabei indo parar no Gambrinus, um restaurante tradicionalíssimo de Lisboa, perto de completar 80 anos de existência.
Luís Pato Branco Vinhas Velhas 2011 
Quinta do Côtto Grande Escolha 2001 
Niepoort Vintage 1985
Durante o jantar, depois de apreciar o ótimo branco Luís Pato Vinhas Velhas 2011 e um esplêndido Quinta do Côtto Grande Escolha 2001, pretendia encerrar a noite com uma taça de Niepoort Porto Vintage da excelente safra de 1985. Porém, enquanto eu ainda o apreciava com toda a atenção que ele merecia, eis que surge o “bendito” garçom do restaurante para me contar sobre a grande coleção de Madeiras do restaurante… Pronto, foi o estopim necessário para que o “alvará de soltura” deste Verdelho 1850 finalmente fosse assinado!
Companhia de Vinhos da Madeira Verdelho 1850
(Observe que a empresa só foi estabelecida vinte anos depois, em 1870…)
Livre de seu longo tormento, este bravo branco (os melhores madeiras são todos produzidos com as castas brancas Sercial, Verdelho, Bual, Malmsey/Malvasia e a rara Terrantez) fortificado finalmente pôde exalar seus inebriantes odores pelo salão. Surgiram aromas nítidos de amêndoas, nozes, figo seco, marmelada, madeira encerada e mais uma profusão de notas olfativas complexas que fui incapaz de armazenar e definir. 
A linda cor caramelo dourado do vinho…
No paladar, mesmo com seu estilo intermediário, nem muito seco como um Sercial ou muito doce como um Malmsey, esse Madeira Verdelho deixou transparecer um pouco de sua doçura (algo entre 65 e 80 g/l), ainda que seja famoso justamente por sua elevada acidez, capaz de equilibrar perfeitamente o gosto do vinho. Sentir no palato toda a vivacidade que ele ainda apresentava após tantas décadas, sem abrir mão de uma suavidade elegante, que dura minutos para se dissipar na boca, me leva a reverenciar ainda mais essa joia insular de Portugal. Um vinho para guardar na memória e nos sonhos!

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