Painel de Degustação: Tintos de Portugal das safras 2004/2005 (exceto Douro), um embate entre vinhos do Alentejo e Bairrada!

Data

Com o Douro fora da briga, o Alentejo ficou em destaque no painel…
A Desconfraria realizou mais um interessante e bastante esclarecedor painel de vinhos portugueses das safras 2004/2005. Como já havíamos feito meses atrás uma degustação destas safras com vinhos exclusivamente do Douro, esta foi elaborada justamente para contemplar o “restante” das regiões de Portugal.
Antes de apresentar os resultados da degustação, cabem algumas considerações sobre este painel. Confesso que já esperava uma presença maciça de vinhos do Alentejo, seguido por vinhos da Bairrada, do Dão e, eventualmente, do Tejo e da Península de Setúbal. Acabamos reduzidos aos vinhos das duas primeiras regiões, mas com a participação de rótulos significativos de ambas (e apenas um vinho repetido). Ao contrário do que eu imaginava, a safra 2005 teve presença predominante sobre a de 2004, com apenas dois vinhos entre os nove do painel. Como elas tem avaliação qualitativa similar, pensei que veria mais exemplares de 2004 do que de 2005.
Veja como ficou o resultado final do painel e alguns comentários meus sobre cada um dos vinhos:
Pera Manca 2005 – 9º lugar (Alentejo) R$648 – Adega Alentejana
70% Aragonês e 30% Trincadeira – 18 meses em tonéis velhos de 3.000 litros e 24 meses nas garrafas
Apesar de ter uma certa implicância com esse vinho, especialmente pelo preço elevadíssimo em que ele passou a ser vendido desde a safra 2003, foi uma grande surpresa encontrar esse ícone do Alentejo como o último deste painel. Acredito que tenha sido um problema de “má garrafa” e, por sorte, tivemos outro participando da série e que ficou em 3º lugar, corroborando a suspeita de uma garrafa defeituosa neste aqui. 
Luís Pato Vinha Barossa 2005 – 8º lugar (Bairrada) R$240 –  Mistral
100% Baga (vinhas velhas) – 12 meses em carvalho francês (novo e usado)
Provavelmente cometi um “infanticídio” calculado em colocar este vinho no painel. No intuito de levar algo não-alentejano, escolhi este renomado vinho de Luís Pato para ser “sacrificado”. Apesar dele ter sido eliminado com 1/3 dos votos apenas (fui um dos que votou nele), no momento da degustação ele era um dos vinhos mais fora da curva de apreciação comparativa dos vinhos (nem vou entrar no mérito deste tipo de critério…), com nariz muito fechado, mesmo já tendo sido aberto há bastante tempo, taninos pouco expressivos e um paladar “magro”. Poderíamos dizer que ele era uma bela flor que não teve chance de abrir… 
Mouchão Tonel 3-4 2005 – 7º lugar (Alentejo) R$300 – Adega Alentejana
100% Alicante Bouschet – 24 meses em tonéis usados (carvalho português, macacaúba e mogno) e 24 meses nas garrafas
Mais um grande vinho alentejano (confesso ser meu predileto) que normalmente mereceria uma posição melhor no painel. Encorpado, com aromas de alcaçuz, grafite e frutas negras. Paladar denso e guloso, com ótimo final de boca. Foi meu segundo melhor vinho da noite.
Quinta do Mouro Rótulo Dourado 2005 – 6º lugar (Alentejo) R$625 – Licínio Dias
48% Alicante Bouschet, 27% Aragonês, 16% Touriga Nacional e 7% CS – 18 meses de carvalho novo francês
Este que é um dos vinhos alentejanos preferidos de Robert Parker, não é tão badalado aqui no Brasil, mas certamente é um grande vinho da região. Apresentou aromas de frutas negras muito maduras, azeitonas pretas e cedro. Boca macia, volumosa e com acidez mediana. Um vinho potente e meio “certinho” demais que não brilhou tanto quanto poderia.
Quintas das Bágeiras Garrafeira 2004 – 5º lugar (Bairrada) R$160 – Premium
80% Baga e 20% Touriga Nacional – 18 meses em tonéis de madeira usada e 48 meses nas garrafas
Belo exemplar da Bairrada feito com Baga de vinhas velhas e ótimo aporte de Touriga Nacional. Muito aromático, com taninos potentes e ótima acidez. Final longo e muito persistente (foi meu terceiro melhor).
Julio B. Bastos 2004 – 4º lugar (Alentejo) R$780 – Decanter
100% Alicante Bouschet – 14 meses em barricas novas de carvalho francês
Outro ícone do Alentejo, o Julio Bastos 2004 estava com aromas encantadores de frutas negras, alcaçuz e violetas, muito equilibrado na boca, com taninos ricos, madeira bem integrada e acidez bem dosada. Belo vinho!
Pera Manca 2005 – 3º lugar (Alentejo) R$648 – Adega Alentejana
70% Aragonês e 30% Trincadeira – 18 meses em tonéis velhos de 3.000 litros e 24 meses nas garrafas
Apesar de não ter observado em minhas anotações diferenças significativas entre esta garrafa e a outra (suspeita de não estar boa), ele parece ter agradado bastante aos presentes na mesa. Destacaria os aromas de fruta negra, leve mentolado e notas amadeiradas. No paladar, taninos muito potentes e acidez média, um vinho muito bem feito, mas que continua a achar caro demais para o que oferece. Até Portugal entrou na onda e ele já está custando 240 euros por lá…
Glória Reynolds 2004 – 2º lugar (Alentejo) R$459 – Casa do Porto
Alicante Bouschet e Trincadeira – 24 meses em carvalho francês e 6 meses nas garrafas
Vinho com aromas deliciosos de frutas negras (amora, cassis), ervas finas e notas de cedro. Na boca, taninos firmes e macios combinados com acidez acima da média e final sedoso.
Quinta do Carmo Reserva 2005 – 1º lugar (Alentejo) R$230 – Mistral
50% Aragonês, 20% Cabernet Sauvignon, 20% Syrah e 10% Trincadeira – 12 meses em carvalho novo francês
Esse vinho destacou-se desde o início da degustação com grande intensidade aromática (cassis, alcaçuz, ervas, pimenta preta, cedro e couro) e um paladar vibrante, cheio de taninos refinados e uma elegância à francesa que encantaram a mim e aos demais presentes. Final longo, levemente exótico e que me fez esquecer da decepção com o vinho que levei para o painel. Ficou a satisfação de saber que tenho duas garrafas dessa belezura na adega…
Fazendo uma retrospectiva e uma comparação desta degustação com a anterior, exclusivamente de vinhos do Douro, fiquei com a (inesperada) sensação de que esta aqui apresentou vinhos mais vibrantes e capazes de estimular nossos sentidos de forma mais intensa. Bela surpresa!
Daqui a duas semanas, a Desconfraria se reúne novamente para avaliar vinhos de Bordeaux das comunas de St-Estèphe e Pauillac, das safras 2003 e 2004. Dependendo dos vinhos que compuserem o painel, poderá apresentar resultados bem interessantes, desde a evolução das safras 2003 e 2004, como das nuances que fazem a diferença entre as duas comunas do Médoc. Espero que assim seja!

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