Direto de Portugal: Caves São João, fiel guardiã das tradições vínicas da Bairrada! (2ª e melhor parte)

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Os belos azulejos com motivos vínicos que ornam a sala de degustação da Caves São João

Continuando a inesquecível visita pela Caves São João, chegamos ao momento da degustação dos vinhos, iniciada com um brinde feito por um de seus proprietários, Manuel José Costa, um legítimo fidalgo português, que nos serviu um espumante rosé feito exclusivamente com a casta símbolo da Bairrada, a Baga. Quem diria que essa casta conhecida por sua rusticidade, fosse capaz de proporcionar um espumante tão refrescante e repleto de aromas florais.

Os novos rótulos “premium” da Caves São João

Antes de chegar aos vinho mais clássicos e evoluídos da vinícola, provamos dois de seus rótulos mais recentes, focados no consumidor moderno: o Caves São João Tinto Reserva 2010, um inusitado corte de Baga (Bairrada) e Touriga Nacional (Dão) amadurecido em barricas de carvalho francês; e o São João Lote Especial 2010, corte de Baga, Touriga Nacional, CS e Syrah, também amadurecido em carvalho francês. Vinhos muito bem elaborados e agradáveis, com ótima relação preço x qualidade, demonstrando que a vinícola está na permanente busca de evoluir, mesmo já tendo o grande reconhecimento pelos vinhos clássicos que elabora.

A fantástica cor de um branco da Bairrada acordado de um sono de 47 anos…

Outros quatro tintos ainda nos aguardavam, mas decidimos deixá-los para harmonizar com o famoso Leitão da Bairrada que nos aguardava para o almoço. Minha maior expectativa naquele momento era provar os brancos evoluídos que eles tem por lá. A primeira coisa que fiz quando cheguei por lá foi pedir para refrescar uma garrafa de Frei João Branco 1967, um raro branco feito com Bical, Cerceal e Maria Gomes. Quem já bebeu os brancos riojanos envelhecidos da Tondoñia sabe bem o que eu desejava encontrar.

Qual não foi minha decepção (inicial) quando o responsável por retirar o vinho da cave me avisou que o 1967 estava com o nível um pouco baixo e ele, por segurança, trouxe o 1966 (foto acima), que além do mais era considerado um ano excepcional da Bairrada. O que ele não sabia (ainda) que escolhi o 1967 justamente por seu meu ano de nascimento (e de um dos amigos que me acompanhava).

Aberto o 1966, lá estava tudo aquilo que buscava: cor de ouro velho, límpido e brilhante, com aromas sutis de flor de acácia, mel, resina e folhas secas, mas que na boca justificaram plenamente a longa espera para bebê-lo. No palato, o vinho ofereceu uma delicada untuosidade, um sabor de caramelo queimado (sem dulçor) que remetia a um vinho de Jerez (talvez um amontillado), finalizando com uma longa e sedosa persistência.

Finalmente… O Frei João Branco Colheita 1967!

A degustação deste 1966 não me deixou dúvidas, avisei ao chef da cave que queria beber o 1967 sob minha conta e risco. Se não estivesse palatável, paciência, pelo menos teríamos provado… Ao meu lado, vendo esses três brasileiros totalmente embevecidos com seus vinhos, nosso fidalgo anfitrião sentenciou: pode trazer o vinho, tenho certeza que ainda estão bons! Sábias palavras…

Lá se foi então nosso incansável “arqueólogo de cave” em busca de uma garrafa! E adivinhe, contrariando a lógica da qualidade da safra, segundo a qual 1967 não chegou nem perto de 1966, o vinho que encontramos na taça era ainda melhor! Ele tinha tudo aquilo que o 1966 já havia nos oferecido, mas com um “sopro de juventude” (não achei uma descrição melhor…) ainda mais encantador, mostrando um certo nervosismo e inquietação, típicos de vinhos brancos muito mais jovens.

Garrafa de Frei João Branco 1967, limpa e rotulada, pronta para brilhar nas taças!

Como diz a minha esposa, brincando comigo quando estou nesse estado de espírito, me senti como “um pinto no lixo” e o resultado óbvio foi dizer: “eu quero duas garrafas!” Meu amigo de safra não deixou por menos e foi ainda mais “guloso”, encomendando nada menos que quatro garrafas!

Enquanto seguimos para o almoço, essas preciosas relíquias seriam preparadas para nós, sendo cuidadosamente limpas, rotuladas e embaladas para transporte até nossas adegas (foto acima).

A terceira e última parte da postagem sobre a Caves São João trará mais algumas surpresas, como uma exclusiva visita a Quinta da Grimpa, onde pudemos provamos os vinhos feitos no quintal da casa de nosso anfitrião, o incansável Manuel José Costa. Aguarde!

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