Direto de Portugal: Caves São João, fiel guardiã das tradições vínicas da Bairrada! (1ª parte)

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Caves São João, por trás desta fachada simples, grandes tesouros estão adegados…
Na sequência de meu roteiro enológico de viagem através de Portugal, visitar a Caves São João era algo tão obrigatório quanto seria, com o perdão da comparação, para um peregrino religioso visitar o Santuário de Fátima. 
Escondida na pequena localidade de São João da Azenha (Anadia), esta empresa familiar, que começou sua história de quase um século (foi fundada em 1920) comercializando vinhos do Douro, evoluiu pelas décadas seguintes até se transformar na mais antiga vinícola ainda em atividade na Bairrada, preservando a rica tradição vínica da região.
Uma pequena amostra do que degustamos na ocasião…
Atualmente, seus rótulos tradicionais como Frei João (Bairrada) e Porta dos Cavaleiros (Dão), e mais recentemente, o Quinta do Poço do Lobo (Bairrada), compõem a quase totalidade do que é produzido pela Caves São João, seja sob a forma de vinhos espumantes, brancos, rosés, tintos e destilados de uva. 
Apesar de viver um nítido momento de renovação, buscando se aproximar mais do paladar do consumidor moderno, produzindo novos vinhos que mesclam as castas tradicionais da Bairrada e do Dão, com castas internacionais como a Cabernet Sauvignon e a Chardonnay, a Caves São João não abriu mão de continuar a produzir os excelentes vinhos regionais que fizeram a sua história, especialmente os produzidos com a “difícil” casta Baga, que em pouquíssimos vinhos ultrapassa os 50% da composição final do blend.
O “paraíso” dos enófilos amantes dos vinhos antigos e evoluídos
  
Ciente do grande valor que o longo amadurecimento agrega para seus vinhos tradicionais, a caves São João assumiu ao longo dos anos, o importante compromisso de preservar em suas adegas uma substancial quantidade de garrafas desses vinhos, afinando-os lentamente para que sejam degustados após longos anos de guarda, onde a meu ver, eles finalmente poderão ser apreciados em sua máxima expressão.
Porta dos Cavaleiros safras 1966 e 1985 repousando…
Imagine a deliciosa sensação (para enófilos apenas, creio eu…) de poder percorrer esses corredores e ver os nichos recheados de vinhos de safras antigas, que remontam até a década de 1960, sabendo que eles repousam ali, sossegadamente por dezenas de anos (o mofo, a poeira e as teias de aranha não me deixam mentir) até o momento de serem devidamente abertos e degustados. É uma maravilha que todo enófilo gostaria de sentir!
Depois desta primeira “degustação” do que é a Caves São João, voltarei na sequência com um novo post sobre os principais vinhos provados na ocasião, chegando até aos improváveis (e espetaculares) vinhos brancos de 1966 e 1967 (minha safra!) que ainda podem ser encontrados por lá. Aguardem…

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