Direto de Portugal: a notável excelência das vinhas e dos vinhos da Quinta do Crasto!

Data

Quinta do Crasto, quase 400 anos de história contadas pela cultura das vinhas
Com uma história vínica que pode ser reconstituída desde o longínquo ano de 1615 e que ainda preserva em sua sede um dos históricos marcos pombalinos instalados no Douro, na metade do século 18, a Quinta do Crasto continua a honrar essa extensa trajetória vitivinícola com alguns dos melhores vinhos produzidos na região.
A bem preservada residência da Quinta do Crasto 
Até o início da década de 1990, a Quinta do Crasto, como quase todas as outras quintas do Douro, limitava-se a produzir uvas que eram conduzidas apenas para a produção de vinhos fortificados, o tradicional Vinho do Porto. A partir de 1994, com o lançamento do primeiro Quinta do Crasto Reserva, o mundo finalmente pôde descobrir os excelentes vinhos de mesa que aquele abençoado terroir poderiam proporcionar. 
O trabalho nas vinhas íngremes é pesado, mas esse visual compensa todo o esforço…
Em recente visita à Quinta do Crasto, numa tarde chuvosa de início de outono, mas que não foi capaz de diminuir em nada a indescritível beleza da paisagem do lugar, tive a grata oportunidade de ser recebido (junto a mais dois casais de enófilos) por Tomás Roquette, um dos membros desta família que conduz com muita paixão e maestria os novos rumos da Quinta do Crasto. 
A linda cor de um tinto evoluído na taça!
No decorrer de um agradável jantar, elaborado com pratos da culinária local e cujos ingredientes, em sua maioria, eram oriundos da própria quinta (no melhor estilo slow food), harmonizado com alguns de seus melhores vinhos, nosso anfitrião nos contou um pouco sobre os planos de expansão e as melhorias que eles pretendem implantar na propriedade. 
Logo de início, servindo uma garrafa propositadamente sem rótulo, Tomás nos surpreendeu com um vinho tinto maduro e bastante equilibrado (foto acima). Passado algum tempo de apreciação, ele nos revela o seu conteúdo e satisfaz nossa curiosidade: estávamos diante de um Crasto 2001, um de seus rótulos de entrada e que manteve-se perfeitamente íntegro e delicioso após esses 12 anos de vida. Com um início assim, a sequência dos vinhos prometia muito mais.
Quinta do Crasto Tinta Roriz 1997
A seguir, degustamos justamente o único vinho que eu ainda desconhecia da Quinta do Crasto, um rótulo monocasta elaborado com a Tinta Roriz (a conhecida Tempranillo espanhola) da excelente safra 1997. Do alto de seus 16 anos, em pleno apogeu, o vinho causou impacto imediato, com aromas intensos e complexos de frutas vermelhas confitadas, defumados, cogumelos e notas de cedro e couro, que não cansavam de se sobrepujar. Na boca, veio a confirmação de sua excelência, com taninos finíssimos, corpo mediano, madeira discreta e acidez muito bem ajustada ao conjunto. Um vinho de estilo clássico, daqueles que bebemos sem perceber, mas que não conseguimos esquecer. Magnífico! Só faltou conseguir uma garrafa…
Quinta do Crasto Touriga Nacional 2010
Continuando a saga dos tintos, demos um salto no tempo para degustar a última safra lançada do outro monocasta da vinícola, feito com a mais emblemática varietal de Portugal, a Touriga Nacional, da safra 2010. Um vinho ainda muito jovem, mas que já demonstrou a força de seu “DNA”, rico em aromas de frutas negras, grafite, violeta e baunilha. Carnudo e denso na boca, promete se transformar ao longo dos anos em mais dos vinhos sublimes que são feitos neste pedaço privilegiado do Douro.
Quinta do Crasto Maria Teresa 2007
Para encerrar, fomos agraciados com aquele que é o mais aclamado vinho da casa: o Quinta do Crasto Maria Teresa (safra 2007), produzido apenas com uvas de uma vinha especial e que abriga algumas das videiras mais antigas de toda a propriedade, muitas delas ultrapassando os 100 anos de idade. A importância desta vinha é tão grande para os proprietários que, segundo me confidenciou Tomás Roquette, cada uma das videiras (são mais de 30 variedades distintas) está sendo mapeada e clonada para garantir a perpetuação desta parcela exatamente como ela se encontra nos dias de hoje. Um patrimônio vitícola inestimável e que merece todos os esforços para não ser perdido!
As centenárias vinhas velhas Maria Teresa
A intenção de tamanho empenho e cuidado é garantir que o “Vinha Maria Teresa” seja produzido por muitos anos ainda, afinal, surgido em 1998, ele só teve 7 safras elaboradas até o momento, com pouco mais de 8.000 garrafas a cada ano.
As minhas impressões sobre este vinho degustado diretamente na fonte, apenas confirmaram minha avaliação (veja no link) feita aqui no Brasil três meses antes, um vinho absolutamente soberbo, que vai ser “decantado” por muito tempo como um dos maiores já produzido pela Quinta do Crasto e em toda a região duriense.
Panorama de 270º que as vinhas velhas da Quinta do Crasto admiram há mais de 100 anos… 
Para terminar a postagem, nada melhor do que apreciar mais uma vez, o fantástico cenário que cerca as vinhas mais antigas desta notável quinta do vale do rio Douro (clique na foto para ampliar).

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