Painel de Degustação: Brunellos di Montalcino 2004/2005, um embate entre tradicionalistas e modernistas!

Data

Brunellos di Montalcino: da tradição de Biondi-Santi à modernidade de Casanova di Neri

Este era um dos painéis de degustação da Desconfraria mais aguardados do ano, pelo menos por mim, um apreciador inveterado destes vinhos produzidos nas cercanias da vila toscana de Montalcino desde 1870, quando o primeiro clone da casta Sangiovese chamado “Grosso” ou “Brunello” foi selecionado pelo pioneiro Ferrucio Biondi-Santi para elaborá-los.
A degustação reuniu Brunellos di Montalcino, safras 2004 e 2005 (vários deles Riservas), de alguns dos melhores produtores da DOCG, como Biondi-Santi, Valdicava, Casanova di Neri, Frescobaldi e outros. Como seria de se esperar, mesmo numa degustação às cegas onde só conhecemos o vinho que levamos, os rótulos de produtores das correntes tradicionalistas e modernistas se fizeram representar com nitidez, possibilitando uma rápida identificação estilística na cor e nos aromas entre as 9 taças dispostas à mesa. 

Curiosamente, enquanto aguardávamos o início da degustação, comentei com alguns participantes que acreditava que, se estivesse entre os participantes, o Brunello de Biondi-Santi teria o pior desempenho (algo que realmente aconteceu: os dois Annatas 2005 ficaram nos últimos lugares). Essa “premonição” era apenas a constatação do resultado de duas outras degustações anteriores (uma às cegas e outra aberta) de Brunellos, onde o Biondi-Santi também teve uma performance pífia. Como diz um amigo meu, com certo exagero, “os Brunellos de Biondi-Santi tem o pior custo x benefício do mundo!”

Antes que alguém diga que um Biondi-Santi, pelo estilo tradicional de vinificação necessite de 15 a 20 anos para se desenvolver plenamente (algo que eu concordo), um Soldera Riserva, por exemplo, também elaborado de modo tradicional, já está esplendoroso antes mesmo da primeira década de vida, pelo menos foi o que observei nas vezes em que degustei safras jovens deste vinho (veja no post).

Entramos então na discussão de quem é “tradicional” e quem é “moderno” neste painel, que a grosso modo, significaria dizer que os primeiros são aqueles que fazem o amadurecimento de seus vinhos em grandes botti (3 a 5 mil litros de capacidade) de carvalho eslavônio (Croata), enquanto os demais se valem do uso de barricas de carvalho francês (225 litros) ou da mescla com os botti, para afinar seus vinhos. Um embate entre aqueles que querem manter a estrutura e os aromas tradicionais de um Brunello e daqueles que investem na elegância e harmonia associadas aos métodos mais modernos.

Apesar dos últimos lugares dos dois exemplares do Biondi-Santi (tradicional) e do 1º lugar do Piccini Villa al Cortile (moderno), a classificação dos vinhos do painel, inclusive com as avaliações feitas pela Wine Advocate e Wine Spectator, e o tipo de amadurecimento utilizado em cada um destes excepcionais brunellos, dá a exata noção de que as duas correntes possuem méritos próprios, podendo oferecer aos enófilos e “brunellistas” de todo o mundo, vinhos de grande qualidade.

Minha preferência pessoal ficou bem próxima da classificação geral, exceto justamente pelo vinho vencedor (ficaria em 6º). O meu predileto foi o 2º colocado, o La Velona Riserva 2004, seguido do Casanova di Neri e Madonna del Piano (ambos 2004). A grande diferença qualitativa das safras 2004 e 2005, também pode ter contribuído para o mau desempenho deste últimos, especialmente dos “difíceis” vinhos do Biondi-Santi…

9º colocado: Biondi-Santi Annata 2005 (RP94+/WS87)
36 meses em botti (tonéis) de carvalho eslavônico e 4 meses nas garrafas
8º colocado: Biondi-Santi Annata 2005 (de novo…) RP94+/WS87
36 meses em botti (tonéis) de carvalho eslavônico e 4 meses nas garrafas
7º colocado: Il Poggione 2005 (RP93/WS90)
36 meses em botti de carvalho francês e 6 meses nas garrafas
6º colocado: Livio Sassetti Pertimali Riserva 2004 (RP96/WS95)
36 meses em botti de carvalho francês e 6 meses nas garrafas
5º colocado: Frescobaldi Castelgiocondo Ripe al Convento Riserva 2004 (RP94/WS93)
24 meses em botti de carvalho eslavônico, 24 meses em barricas de carvalho francês e 12 meses nas garrafas
4º colocado: Valdicava Madonna del Piano Riserva 2004 (RP96/WS96)
Amadurecido em botti de carvalho eslavônico e nas garrafas por tempo não declarado
3º colocado: Casanova di Neri Tenuta Nuova 2004 (RP93/WS96)
30 meses em botti de carvalho francês e 18 meses nas garrafas
2º colocado: La Velona Riserva 2004 (RP94/WS92)
48 meses em botti de carvalho eslavônico
1º colocado: Piccini Villa al Cortile Riserva 2004 (WS91)
36 meses em barricas novas de carvalho francês e 6 meses nas garrafas
A próxima parada do circuito será bastante interessante por diversas razões, mas especialmente para vermos mais uma vez, até que ponto evoluem bem os grandes vinhos do Chile. Degustaremos os melhores dos anos 1999/2000. Semana que vem, saberemos quais estarão presentes e como se comportaram. Aguardem!

Outros Artigos

Olá, fique mais um pouco. Sou seu Wine Hunter.

Se não encontrou o que realmente procurava, deixe que eu faça isso por você.

Quero te propor a melhor experiência em nosso Marketplace de vinhos!