Quando o lema "quanto mais velho melhor" é verdadeiro: Faustino I Gran Reserva 1970 x Lopez Montchenot Gran Reserva 20 años 1970!

Data

43 anos muito bem vividos: Faustino I GR 1970 e Montchenot 20 años GR 1970
Até aquelas pessoas que nunca colocaram uma taça de vinho nos lábios conhecem o dito popular “vinho, quanto mais velho melhor!”, uma afirmação que na grande maioria das vezes não se confirma no momento da degustação.
Antes de mais nada, é preciso compreender que são inúmeras as variáveis e condicionantes que podem interferir na saúde e na longevidade de um vinho, mas o principal aspecto que deve ser observado é que, de fato, poucos são os rótulos que realmente suportam (e às vezes precisam) passar por uma longa guarda antes de serem degustados na plenitude. Eu diria que, nos dias de hoje, a absoluta maioria dos vinhos é elaborada para ser consumida de imediato até um prazo máximo de quatro ou cinco anos. 
A “máxima” em questão, só se justifica quando temos a oportunidade de degustar vinhos especiais como esses dois, um Rioja de estilo tradicional da Bodegas Faustino e um Montchenot da Bodegas Lopez, que na contra-mão dos melhores vinhos argentinos, aposta num estilo mais clássico de vinificação.
Mas ainda fica uma questão: “quanto” mais velho é melhor? Afinal, não basta que o vinho esteja potável, mas que ainda esteja numa fase de evolução digna de seus melhores momentos. Para minha satisfação, ambos estavam neste período de apogeu.
Faustino I Gran Reserva 1970
Dotado de uma linda coloração vermelho cereja, muito límpida e brilhante, o Faustino I GR 1970 ultrapassou quatro décadas com “corpinho de 20”. Elaborado com o corte típico da Rioja (85% Tempranillo, 10% Graciano e 5% Mazuelo) e amadurecido por 30 meses em barricas (80% americanas e 20% francesas) e mais alguns anos na garrafa, este Gran Reserva ofereceu aromas refinados e etéreos de couro, torrefação e tabaco. Na boca, taninos elegantes e polidos pelo tempo se integraram perfeitamente com uma refrescante acidez e discreto traço de madeira, escorregando pelo palato com facilidade e presença marcante. Devo ressaltar que a excelente safra (1970) também contribuiu decisivamente para que este vinho se mantivesse no ápice por mais do dobro do tempo habitual, algo entre os 15 e 20 anos. Simplesmente soberbo!
Lopez Montchenot 20 años Gran Reserva 1970
Antes de mais nada, devo confessar minha paixão e admiração por este vinho argentino, basta dizer que com a abertura deste 1970, alcancei a marca de 20 safras de Montchenots degustadas, sendo esta a mais antiga delas. Este histórico de degustação me permite dizer que a qualidade e homogeneidade destes vinhos é impressionante. Produzido com um blend de Cabernet Sauvignon (majoritária), Merlot e Malbec, a série 20 años repousa por longas duas décadas em grandes tonéis de carvalho antes de seguir para o engarrafamento (onde descansa um ano mais), chegando ao mercado em pleno apogeu.
A imagem do vinho (foto acima) descreve melhor que quaisquer palavras, sua beleza, limpidez e evolução, mas nada pode dizer sobre seus aromas, dominados pelas ervas finas, cedro, terra molhada e couro. No paladar, a mesma elegância tânica encontrada em outras safras, com acidez bem dosada e apenas um pouco de madeira sobrando, talvez sugerindo que seu tempo de apogeu já está chegando ao fim. De qualquer modo, nada que diminua a minha percepção de este é um dos maiores vinhos que a Argentina já produziu.
Para finalizar, só posso dizer que nestas garrafas degustadas reside a verdadeira essência da expressão “quanto mais velho melhor”… Santé!

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