Castas em extinção, a importante luta pela preservação de um rico patrimônio vinícola!

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O mundo vitivinícola tem centenas de castas diferentes. Muitas delas não estão sequer suficientemente estudadas e Portugal é um dos melhores exemplos disso. A Itália é outro. Ora, a globalização começa também aqui a fazer-se sentir, provocando o arranque de castas consideradas supérfluas, a favor de castas mais consensuais. Mas há perigos à espreita…

Aliás, calcula-se que cerca de 80% do vinho bebido a nível mundial é originário de apenas 20 castas. Só Portugal, diga-se de passagem, tem, pelo menos, dez vezes mais do que isso! E a nível mundial estima-se que existam 1.400 castas diferentes.

Esta ameaça à diversidade foi o pano de fundo para a conferência que se realizou recentemente no Porto, promovida por uma organização chamada de Wine Mosaic (www.winemosaic.org). Estiveram presentes especialistas de todas as áreas, incluindo cientistas, enólogos, produtores e profissionais das áreas de marketing e produção.

No evento foi apresentado um estudo do cientista francês Alain Carbonneau, diretor do Instituto do Vinho e da Vinha de Montpellier (e vice-presidente da Wine Mosaic). O estudo, ainda em fase preliminar, indica que o que resta de 155 castas mediterrâneas está confinado a um conjunto de parcelas que não chegam a 10 hectares de terra. Outras 200 castas estão também em perigo de extinção, confinadas a áreas que pouco excedem os 100 hectares.

A urgência em conservar uma grande variedade de castas ultrapassa a mera necessidade de diversidade de aromas e sabores. Pesquisas recentes no domínio da genética das plantas mostram que as castas mais raras dão pistas preciosas para a história do vinho. Estas castas podem ainda revelar-se fundamentais para, através de análises de DNA, oferecer armas contra o fenômeno de aquecimento global, contra doenças da vinha ou outras mais prosaicas, como a mudança na preferências dos consumidores.
Um destes casos, bem próximo de Lisboa, é o vinho Dona Fátima Jampal, da BioManz, elaborado com a casta branca Jampal. Este é, ao que se sabe, o único vinho de Jampal no mundo e mesmo a casta é quase desconhecida da esmagadora maioria dos produtores da região de Lisboa, enólogos incluídos. E esta é uma casta que já foi típica na região.

Se não fosse a atuação de André Manz, com ajuda local de um técnico viticultor da região (Eiras Dias), a casta Jampal poderia extinguir-se. Outros exemplos, menos radicais sem dúvida, ocorrem pelas vinhas de todo o país. De saída estão vinhas velhas com uma multiplicidade de castas ainda não identificadas e entraram, ou estão a entrar, castas muito mais bem estudadas e, claro, mais conhecidas do consumidor.

Menos mal que ficou patente que Portugal mantém os melhores esforços mundiais na conservação de castas, especialmente pela iniciativa da Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (Porvid), com um campo no Centro Experimental de Pegões (foto acima).

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