Carvalho Francês x Carvalho Americano: existe realmente uma diferença significativa?

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Carvalho francês ou americano, qual leva a melhor?
Em recente masterclass sobre vinhos da Rioja, acontecida em Londres e que contou com a participação de 50 especialistas do mercado de vinhos londrino, chegou-se a conclusão de que, apesar do custo mais elevado, o carvalho francês nem sempre garante melhores melhores do que seus similares feitos com carvalho americano. 
De acordo com Matías Calleja, enólogo-chefe da Beronia, tradicional vinícola riojana, os vinhos envelhecidos em carvalho americano são tão bons quanto os amadurecidos em barricas francesas. Durante o evento “The Building Blocks of Rioja”, organizado pela The Drinks Business, uma degustação  especial foi conduzida por ele para tentar comprovar essa afirmação, apresentando o mesmo vinho, mas amadurecido em barricas de carvalhos diferentes.
Uma amostra continha um Rioja Reserva da safra 2011, com 10 meses de amadurecimento em carvalho 100% americano, e a outra,  amadurecida por período idêntico em carvalho 100% francês. Após ambos terem sido provados, coube aos 50 participantes manifestarem suas preferências sobre esses Riojas envelhecido em barricas de carvalho diferentes. Depois de uma rápida contagem, o número de votos para cada vinho deixou evidente que o vinho amadurecido em carvalho francês recebeu mais votos, mas por uma diferença muito pequena.
Analisando os vinhos, Calleja observou que, naquele estágio, o carvalho francês aportou um toque a mais de sabor ao vinho, enquanto o carvalho americano realçou o caráter tânico do vinho.
“Fica claro que é preciso mais tempo para se conseguir um vinho ‘redondo’ com o uso de carvalho americano” explicou, reforçando que estas amostras, com um pouco mais de tempo nas barricas, irão oferecer resultados muito mais homogêneos, com os vinhos que passaram pelo carvalho americano ficando tão bons quanto os que amadureceram no carvalho francês.
Após esta experiência, Calleja convidou os participantes para provar seu Beronia Rioja Reserva 2008, envelhecido por 18 meses em barricas mistas de carvalho francês e americano. Explicando a razão para o uso destas barricas, em vez de simplesmente envelhecer os vinhos parte em carvalho americano e parte em francês, misturando-as em seguida, Calleja disse: “Usamos o carvalho francês nas aduelas da barrica, peças de dimensões finas, deixando o carvalho americano para confeccionar as tampas, uma solução muito melhor em termos de sustentabilidade, basta dizer que temos mais de 30 mil barris na adega.”
Do ponto de vista financeiro, Calleja disse que essa barrica mista custa em torno de €480, 15% mais cara do que a barrica de carvalho americano, mas 20% mais barata do que a produzida apenas com carvalho francês.
Em outras partes do mundo como a Califórnia, experimentos semelhantes são feitos há décadas. Paul Draper, da Ridge Vineyards, sempre promoveu a qualidade do carvalho americano, usando-o no Monte Bello, seu vinho mais emblemático. Segundo ele: “Se o carvalho americano secar por dois ou três anos e depois for trabalhado corretamente, você deverá ter algo tão bom quanto um carvalho francês.”
Para testar continuamente sua preferência, Draper coloca desde 1970, 3% de sua produção anual da Monte Bello em barricas de carvalho francês para ver como eles se comportam, promovendo degustações às cegas comparativas. “Em degustações às cegas de Monte Bello com vários Masters of Wine e outros especialistas, praticamente nunca tivemos alguém que pudesse identificar qual deles era envelhecido no carvalho americano”, completou ele.
Ao que parece, quando o assunto é barrica de carvalho, tudo é uma questão de tempo e experiência…

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