Direto da Adega: J. Mommessin Vosne-Romanée Les Beaux Monts 1967, um Bourgogne tinto em plena forma aos 46 anos de vida!

Data

Vosne-Romanée Les Beaux Monts 1967, a longevidade de um Bourgogne* posta à prova!
Qualquer que seja a origem de um vinho que se aproxima de meio século desde o momento de sua elaboração, ele merece ser guardado, manuseado e aberto com todo o carinho e atenção, respeitando a nobreza de quem pacientemente se preparou para brilhar no momento oportuno, mesmo que esse período de tempo (46 anos) pudesse ser tão longo. Se o vinho em questão for um Bourgogne 1er Cru de Vosne-Romanée, uma das áreas onde os vinhedos estão entre os mais valiosos da França e do mundo, todo cuidado é pouco.  
Garrafa deitada numa tranquila cave da Bourgogne
Graças a um amigo franco-brasileiro, que localizou algumas garrafas (foto) desta preciosidade na adega da vinícola que o produziu, tive a rara oportunidade de poder degustar este Bourgogne “nascido” na mesma safra que eu, um ano que segundo ele, foi muito bom na região (apesar de ter lido muitos críticos dizerem o contrário). 
Mapa de Vosne-Romanée 
Como é possível observar no mapa acima, o vinhedo 1er Cru Les Beaux Monts (a grafia Beaumont também é usada) possui 11,39 hectares e fica “espremido” entre alguns dos mais famosos Grands Crus da região, olhando um pouco a esquerda, na cor laranja, fica o pedaço mais abençoado de toda a Bourgogne: os minúsculos vinhedos de Richebourg, La Tache e o mais célebre de todos, o Romanée-Conti. 
Com uma vizinhança deste nível, era grande a expectativa sobre a qualidade deste vinho e a esperança de que a garrafa em minhas mãos ainda pudesse estar em boa forma para ser degustada. Depois de deixá-la vários meses repousando na adega, só estava me faltando uma ocasião propícia para abrir o vinho, e ela apareceu neste fim de semana, quando reunido com mais três amigos enófilos, finalmente decidi liberar o “gênio da lâmpada”…
Aberta a garrafa, todos os sinais positivos externos (nível do vinho na garrafa, cor, rolha perfeita) que sugeriam a perfeita potabilidade do vinho começaram a se confirmar. Vertido diretamente na taça, o vinho impressionou pela coloração rubi média, bastante límpida e brilhante, sem nenhum sinal de turbidez ou depósito excessivo. 
No aspecto olfativo, foi necessário esperar alguns minutos para o vinho desabrochar (não quis correr o risco de decantá-lo), após os quais finalmente pudemos sentir aromas sutis de frutas vermelhas silvestres (cerejas, morangos e framboesas) que logo passavam a vez para notas dominantes de terra úmida, cogumelos secos e defumados. 
No paladar, onde a expectativa era maior, felicidade total! Ninguém à mesa esperava encontrar nele um frescor, uma acidez tão viva e balanceada com os finos taninos (delicados, mas marcantes) como a que o vinho nos ofereceu. A sensação de complexidade e de extrema delicadeza deste Bourgogne, pareceu exigir o máximo de nossos sentidos, revelando meticulosamente cada uma das nuances que um grande Pinot Noir pode proporcionar. Um verdadeiro espetáculo sensorial em todos os sentidos, que me levou com a estranha sensação de que não existem palavras capazes de descrevê-lo completamente. Eu, humildemente, tentei…. 
* A grafia “Bourgogne”, no lugar da usual “Borgonha”, é uma justa recomendação de Jean Cara, um expert em da região, que entende que está deve ser a maneira correta de escrever o seu nome. Afinal, já que habitualmente escrevemos “Bordeaux” e não “Bordéus”, como seria a palavra traduzida para o português, nada mais justo do que manter a grafia original “Bourgogne.” Nada mais justo!

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