Painel de Degustação: Saint-Emilion 2005/2006, onde brilham a Merlot e a Cabernet Franc!

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Saint-Emilion 2005/2006: resultado final surpreendente…
O mais recente painel de degustação da Desconfraria reuniu excelentes exemplares da comuna de St-Emilion, na margem direita de Bordeaux, lar de grandes vinhos como Cheval Blanc, Angelus, Ausone e Pavie, onde se destacam as castas Merlot e Cabernet Franc, especialmente em cortes bem elaborados que extraem o máximo deste magnífico terroir francês.
Neste painel contou com a participação de 10 vinhos, sendo oito vinhos da safra 2005 e outros dois de 2006. Contrariando todas as expectativas, um vinho “teoricamente” mais simples e da safra menos elogiada (2006), foi o vencedor. Veja quais foram eles e como se portaram diante de uma avaliação às cegas: 
10º lugar: Château Caillou d’Arthus 2005
Elaborado com um corte típico de 80% Merlot e 20% Cabernet Franc, este “Saint-Emilion Grand Cru” ilustra bem o fato de que ostentar este título no rótulo pode não trazer nenhuma garantia de que o vinho tenha uma qualidade superior. Para usar o título basta atender alguns pré-requisitos mínimos da apelação e pronto. Não confunda porém um vinho que também ostente no rótulo o termo “Grand Cru Classé”, esse sim um atestado de qualidade acima da média. Esse vinho mostrou isso claramente, já que posto lado a lado com rótulos de qualidade muito superior, suas poucas virtudes sucumbiram diante dos demais. Último lugar inquestionável!  
9º lugar: Château Quinault L’Enclos 2005 (RP94/WS92/JR14,5)
Elaborado com um corte inusitado de 70% Merlot, 17% Cabernet Franc, 7% Cabernet Sauvignon e 6% Malbec (algo bem raro de se ver), este vinho exibiu aromas bastante intensos de frutas negras e chocolate amargo, mas com taninos doces demais e uma acidez aquém do ideal. Pode ter sido uma má garrafa ou fase meio apagada deste vinho, já que em outras ocasiões se apresentou em melhor forma.
8º lugar: Mondot 2005 (2º vinho do Château Troplog-Mondot)
Produzido desde 1985, o Mondot é resultado de um corte majoritário de Cabernet Sauvignon, complementado por pequenas parcelas de Cabernet Franc e Merlot. Ele também ilustra uma outra questão interessante: a dos “Segundos Vinhos” de um château qualquer como boa opção em termos de preço x qualidade. Neste caso, apesar de ser um vinho bem agradável, ele se desviou bastante da tipicidade observada nos demais vinhos de Saint-Emilion. A presença dominante da CS foi crucial para destoá-lo do painel, colocando-o nesta colocação.
7º lugar: Château La Fleur Morange 2005 (RP96/JR19)
Daqui veio a grande e única “injustiça” do painel (comparada com minha avaliação individual). Este riquíssimo blend de 70% Merlot e 30% Cabernet Franc de vinhas com mais de 100 anos e de rendimento ínfimo para os padrões locais (apenas 21 hl por hectare), foi disparado o meu vinho preferido. A sua saída precoce na classificação dos vinhos poderia ser creditada ao fato de que ele era o vinho menos “pronto” do painel, com taninos ainda um pouco duros e altos níveis de acidez, mas que sugerem um vinho brilhante em alguns anos mais. É um daqueles vinhos que, abertos antes da hora, caracterizam um clássico infanticídio.
6º lugar: Château Pavie Macquin 2005 (RP98/WS96)
Outro grande vinho que na minha opinião tinha potencial para ir além. Produzido com 80% Merlot, 18% Cabernet Franc e 2% Cabernet Sauvignon, esse Pavie Macquin exibiu ótima estrutura tânica e acidez perfeita. Talvez a grande similaridade com outros vinhos que ficaram à sua frente, seja a explicação mais plausível.
5º lugar: Château Canon La Gaffeliére 2006 (RP92/WS93)
O primeiro dos dois únicos vinhos da safra 2006 presentes na degustação, deixou claro que a safra foi muito boa, mas tremendamente ofuscada pela badalada 2005. Elaborado com um corte de 55% Merlot, 35% Cabernet Franc e 10% Cabernet Sauvignon pelas mãos do enólogo consultor Stéphane Derenoncourt, o vinho mostrou ótimo equilíbrio gustativo e aromas intensos de cassis, mentol e cedro. Provavelmente, o melhor “nariz” do painel.   
4º lugar: Château Larcis Ducasse 2005 (RP98/WS95)
Mais um vinho produzido sob a batuta de Stéphane Derenoncourt, blend de 78% Merlot, 20% Cabernet Franc e 2% Cabernet Sauvignon, o Larcis Ducasse 2005 (promovido em 2012 para 1er Grand Cru Classé) ofereceu aromas intensos de licor de cassis, azeitonas pretas, cedro e ervas finas, com paladar refinado e já bastante agradável de beber. Um exemplar clássico do que é um grande Saint-Emilion! 
3º lugar: Château Valandraud 2005 (RP95/WS95)
Provavelmente o mais famoso vinho de “garagem” de toda Bordeaux, o Château Valandraud (também promovido a 1er Grand Cru Classé em 2012) é feito pelo “bad boy” Jean-Luc Thunevin e sua esposa Murielle Andraud. O 2005 em questão foi elaborado com 65% Merlot, 25% Cabernet Franc, 5% Cabernet Sauvignon, 4% Malbec e 1% Carmenère, uma mistura bastante exótica e complexa para os padrões da região. O resultado dessa alquimia revelou um vinho com aromas muito vivos de cassis, cedro e lavanda, e uma boca arisca, com acidez cortante e taninos potentes e quase totalmente amaciados. Devo confessar que foi o primeiro Valandraud que realmente me encantou.
2º lugar: Château Teyssier Le Dôme 2005 (RP96/WS93)
Uma preciosidade produzida em quantidade minúsculas (1.000 caixas por ano) e dominada pela Cabernet Franc (75%) em detrimento da merlot (25%). Ao lado do La Fleur Morange, foi o meu vinho preferido no painel. Um caldo complexo, rico, repleto de aromas intensos de ameixas, cedro, mentol e grafite, que levados à boca, amplificam ainda mais a percepção de qualidade de um vinho inesquecível.   
1º lugar: Clos Badon Thunevin 2006 (RP91/WS90)
Na minha opinião, a maior zebra do ano dentre os painéis já realizados! O Clos Badon é um dos vinhos de melhor relação preço x qualidade dentre os produzidos por Jean-Luc Thunevin, mas ficar na frente de todos os grandes vinhos acima, foi surpreendente. Coisas que só uma degustação às cegas pode proporcionar. Elaborado com 50% Merlot, 40% Cabernet Franc e 10% Cabernet Sauvignon, ele teve o grande mérito de chegar ao final das mais de duas horas de degustação, em boa forma, com aromas refinados e um paladar muito bem construído. Considerei o resultado uma grande surpresa, por não ter visto nele nenhuma característica que o distinguisse perante os demais, e talvez por isso mesmo, ele tenha chegado até o fim.
A minha conclusão deste painel é que a fama e qualidade dos vinhos de Saint-Emilion tem muita razão de ser, oferecendo, mesmo quando comparados aos vinhos da margem esquerda de Bordeaux, uma grande satisfação sensorial por um custo médio relativamente inferior. Salvo para os amantes incondicionais da Cabernet Sauvignon, a casta que reina no Médoc, a região de Saint-Emilion oferece algumas das melhores barganhas dentre todas as apelações de Bordeaux.
A próxima parada da Desconfraria será uma degustação aberta (sem safra definida) de vários Premiers Grands Crus Classés de Bordeaux (margens esquerda e direita): Latour, Lafite, Margaux, Mouton, Haut-Brion, Cheval-Blanc, Ausone, Pavie, Angelus, admitindo ainda a participação daquele que, para muitos (inclusive eu), mereceria ser classificado como o 6º Premier Grand Cru Classé do Médoc, o Léoville Las Cases…

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