5 falsos dogmas do mundo do vinho que insistem em existir!

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Talvez existam poucas coisas ligadas ao consumo humano mais contaminadas por crenças e dogmas que o vinho. O senso comum que vem se perpetuando ao longo dos anos sustenta um sem número de “certezas absolutas” e generalismos sobre o vinho que não tem nenhuma sustentação ou fundamento plausível.

A diversidade e até mesmo a subjetividade que envolve o consumo do vinho, sugere que é necessário muito critério antes de proferir “certezas” sobre o tema. O experiente crítico espanhol Jose Peñin reuniu alguns destes “dogmas” do vinho para demonstrar que, invariavelmente, generalizar no mundo do vinho é assumir um grande risco de cometer equívocos. Selecionei alguns deles que parecem dominar amplamente o senso comum dos apreciadores eventuais de vinho. Veja quias são eles:

1 – O vinho tinto melhora com o tempo (o conhecido “quanto mais velho melhor”…)

Na realidade, o vinho tinto não “melhora” com o tempo, ele simplesmente se “transforma”. Os tintos atingem o equilíbrio apropriado para o consumo depois de uns 4 ou 5 meses de seu engarrafamento, antes disso, eles podem estar muito fechados (aromaticamente falando), com a presença do carvalho evidenciada em demasia e dominados pelo caráter primário de seus aromas e sabores. Daí para frente, num processo que realmente pode durar muitos anos, os tintos “evoluem” para adquirir novas nuances aromáticas (tabaco, couro, amêndoas) e afinar a potência de seus taninos. Por outro lado, as características varietais da fruta e as notas minerais inicialmente percebidas começam a definhar. É tudo uma questão de escolha…

2 – Vinhos brancos para peixes e vinhos tintos para carnes

Em algum momento da harmonização enogastronômica, alguém vaticinou isso. De maneira geral, não é a “cor” do vinho, mas a sua estrutura que realmente importa. Um vinho branco de 13,5º ou mais, envelhecido em barricas de carvalho, possui volume e “peso” na boca suficientes para harmonizar com a maioria das carnes vermelhas. Do mesmo modo, um tinto leve e fresco pode se encaixar muito bem com um peixe. Isso tudo, sem considerar que peixes como o Bacalhau, o Salmão e outros peixes defumados são quase uma categoria à parte nesta classificação. Ao contrário do que se costuma pensar, o vinho branco é muito mais maleável gastronomicamente que um tinto.

3 – Vinhos brancos duram menos que vinhos tintos

Mais uma generalização nem sempre vercadeira. Ambos os tipos, desde que possuam um perfeito equilíbrio entre álcool e acidez, com rolhas em boas condições e adegados corretamente, podem ser bebidos quase “sine die”. Não está claro que apenas os taninos das uvas e das barricas sejam os fator obrigatórios para garantir a longevidade do vinho. Enquanto um tinto escuro e encorpado vai se afinando com o tempo como já dissemos, um branco de 20 anos na garrafa evolui para uma cor amarela quase âmbar, repleto de notas de nozes e ervas secas, que são perfeitamente desejáveis. Quem já bebeu um grande branco da Bourgogne ou um Gran Reserva da Viña Tondoñia, sabe o que estou dizendo…

4 – Não entendo de vinhos, mas sei do que gosto (o famoso “gosto não se discute”)

Repetida a exaustão, essa frase é quase sempre usada pelas pessoas quando estão diante de alguém que conheça mais sobre o assunto do que elas. Curiosamente, ninguém tem pudor em dizer que não entende de arte, música ou livros. Por quê precisaria entender de vinho para comprá-los? O paladar das pessoas parece ser algo quase sagrado!
Ninguém tem de ser um especialista em computadores para comprar um? Vai até uma boa loja ou consulta uma revista especializada no tema. Alguém tem de conhecer os melhores diretores e atores de cinema para escolher um bom filme? Não. Para isso existem os críticos de cinema! O mais importante ao aspirante a enófilo ou bebedor eventual, é ter atenção e alguma dose de memória para lembrar dos rótulos degustou (e gostou). A partir daí, consultar um especialista e comparar as críticas com suas próprias impressões, vai ajudar no processo de “apuro” de seu gosto. Pode ter certeza, algo longo das taças provadas, ele certamente irá mudar…

5 – Mulheres preferem vinhos doces


Evite problemas com sua companhia! Não existem vinhos para “mulheres” ou para “homens”. Esta crença se deriva daquelas mulheres que aderiram ao vinho mais tardiamente e, nos primeiros contatos com ele, o apreciador neófito, seja homem ou mulher, tende a preferir vinhos de sabor mais doce ou ligeiramente doce, para só então incorporar a seus hábitos de consumo os vinhos de paladar seco ou adstringente.
Ao contrário do se poderia imaginar, as mulheres experientes no consumo de vinho, pela própria natureza de sua sensibilidade, costumam ser muito mais seguras na compra de um vinho e menos hesitantes que os homens numa mesa de degustação.

Além destes dogmas, “pré-conceitos” e crenças, muitos outros gravitam sobre o mundo dos vinhos, mas acredite, como regra geral para praticamente todos deles, as exceções às “regras” são tantas, que eles se tornam absolutamente inócuos…

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