Os 10 termos mais "irritantes" e mal utilizados do mundo do vinho – 1ª parte

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O mundo do vinho oferece uma riquíssima variedade de estilos e personalidades, capazes de excitar o mais entediado dos enófilos. No entanto, uma simples amostra aleatória de notas de degustação ou contra-rótulos, vais demonstrar que o vocabulário usado para descrevê-los pode ser extremamente ineficaz e às vezes, absurdamente irritante.
Esta lista de termos não é uma tentativa de lidar com crescente salada de frutas de ingredientes presentes nas notas de degustação. Em vez disso,  a The Drinks Business escolheu um pequeno número de palavras comuns, muitos delas perfeitamente válidas em alguns casos, cujo significado é prejudicado pelo mau uso ou simplesmente pelo excesso com que são usadas no contexto diário da comercialização do vinho.
Leia a 1ª parte da seleção destes termos (ab)usados no mundo do vinho e lembre-se que ela não é uma lista definitiva. Fique à vontade para discordar ou sugerir o acréscimo de mais algumas.
Ícone (Icon)
Vamos deixar de lado o argumento pedante que este termo deveria ser reservado apenas para a arte cristã primitiva ou para as ferramentas de navegação do computador. No entanto, Ícone e sua forma adjetiva, são termos que tem sido mau utilizados, seja por meio de sua desvalorização excessiva ou aplicação inadequada para uma ampla variedade de vinhos que não tem nada de notável.

O mundo do vinho está longe de ser o único culpado nesse sentido, mas ainda há tempo para preservar o termo Ícone para o seleto clube de vinhos que realmente merecem esta descrição. Estamos falando de rótulos do quilate de Domaine de la Romanée Conti, Penfolds Grange ou Quinta do Noval Nacional: vinhos que não são apenas famosos por sua excelente e consistente qualidade, mas pela importância histórica que tem em seus países de origem. Aliás, fando em países, os da América do Sul se destacam como os “criminosos” mais recorrentes.

Reserva (Reserve)
A encantadora falta de definição clara sobre este termo na maioria das regiões do mundo significa que, muitas vezes, não significam nada além de um “peso” extra mo preço final do vinho. Alguns recantos do Velho Mundo, com a notável exceção da França, demonstram uma abordagem ligeiramente mais rígida com o uso deste termo. Na Rioja, o termo Reserva só é permitido para os vinhos tintos que amadureceram por pelo menos três anos, incluindo um período mínimo de um ano em barricas de carvalho. Os Reservas brancos da mesma região devem passar por pelo menos dois anos de maturação, incluindo um mínimo de seis meses em carvalho.

Do mesmo modo, regiões italianas como Barolo, Barbaresco, Chianti Classico e Brunello di Montalcino, têm regras específicas sobre as qualificações necessárias para o uso do termo Riserva, embora alguns Consorzi sejam mais exigentes do que outros.

Enquanto isso, no Novo Mundo, impera a falta de lei digna do Velho Oeste. Alguns enólogos usam o termo nos vinhos logo acima dos rótulos mais simples da vinícola, evoluindo para descrições ainda mais “distintas” como Gran Reserva, na medida que progride a qualidade dos vinhos. Em suma, a palavra Reserva é regida por regulamentos inconsistentes e complexos ou reduzida a pouco mais do que uma ferramenta de marketing. É difícil ver como isso ajuda os consumidores a gastar seu dinheiro com mais sabedoria.

Paixão (Passion)
Paixão é uma sensação maravilhosa, seja derivada de sua carreira, de seu hobby ou de seus relacionamentos. O problema é que ficar dizendo que você está apaixonada é, francamente, como matar um pouco essa paixão. No comércio do vinho, em particular, a paixão tende, felizmente, a inspirar uma motivação mais forte do que apenas a recompensa financeira. É reconfortante poder dizer quantos enólogos e viticultores deste planeta são realmente apaixonados por seu trabalho, mesmo que isso nem sempre signifique um brilho equivalente no seu produto final. De fato, esse termo leva a uma conclusão lógica: não nos diga que está apaixonado, nos mostre!
Varietal

Este termo é, antes de mais nada, um adjetivo e não um substantivo. Por exemplo, a Sauvignon Blanc é uma variedade de uva, suas características “varietais” variam desde gramíneas até aromas de frutas como o maracujá. Seria possível dizer que a cada vez que esta palavra é usada de forma incorreta, “uma fada morre”.
Terroir
Se todos os grandes vinhos do mundo são verdadeiramente uma expressão única do lugar, então o termo terroir deve, por definição, ter um papel crucial na sua criação. O problema surge quando essa palavra é usada como uma garantia geral de qualidade para os vinhos que você gosta, como se pudesse ter sido feito em qualquer lugar do planeta.

Ninguém em sã consciência espera ser capaz de distinguir um simples e barato Pinot Grigio italiano de um produzido na Hungria ou na Califórnia. Nesse nível, os compradores estão interessados ​​em um estilo genérico e em preço acessível, eles não se importam de onde as uvas são provenientes.

Onde o termo fica realmente “embaçado” é no delicado equilíbrio da intervenção humana. Um enólogo que usa barricas para ajudar a expressão de um terroir pode também mascará-lo completamente? Existem muitas palavras que contribuíram no debate sobre o significado de terroir e este não é o lugar para uma resposta definitiva. Tudo o que se pede é o uso um pouco mais consciente de um termo que merece o maior respeito possível.

Borgonhês (Burgundian)
É isso mesmo? Sério? O que exatamente você quer dizer com isso? Esperamos que não seja apenas um alerta de que você está cobrando preços dignos de um Grand Cru da Borgonha. Quantas partes do mundo de hoje estão fazendo um excelente Chardonnay ou Pinot Noir por seus próprios méritos? É curioso que você sinta necessidade de se apegar a este descritor improvável (borgonhês). A menos, é claro, que você realmente esteja fazendo vinhos na Borgonha…

Os fatores ambientais por trás de um Pinot Noir de Sonoma (Califórnia) não poderiam ser mais diferentes dos de um Pinot Noir de Nuits-Saint-Georges, por isso, se o gosto for o mesmo, devemos esperar que você esteja recebendo um bom desconto em ácido tartárico.

Para ser justo, esse termo pode ser bastante mais significativo para a Chardonnay, uma uva que oferece uma reflexão menos austera do terroir e é estilisticamente um pouco mais maleável. Mesmo assim, termos como Borgonhês ou simplesmente Borgonha, são bastante amplos para que possam ser úteis em nos dizem algo. seria melhor dizer que você está falando de um Chablis, Macon ou Corton-Charlemagne.

Amanhã publicarei a 2ª parte, com mais 4 termos usados além da medida no mundo do vinho…

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