Direto da Taça: Stambolovo Merlot 1991, uma surpreendente curiosidade vínica vinda da Bulgária! #CBE

Data

Stambolovo Merlot 1991
Qual enófilo poderia resistir diante deste belo e exótico rótulo? Imagine então se ele for de um vinho elaborado com a casta Merlot, no sul da Bulgária (numa das prováveis áreas onde o vinho surgiu a mais de 6 mil anos atrás) e com 22 anos de amadurecimento? Acho que nenhum…
Pois este foi o vinho que escolhi para apresentar sobre o tema do mês de julho da Confraria Brasileira de Enoblogs (CBE), cuja proposta era falar sobre um vinho que tivesse sido escolhido pelo visual do rótulo, um inspirado tema proposto pela Fabiana Gonçalves, do blog Escrivinhos
O belíssimo rótulo feito em folha de cobre
Cabe aqui um pouco da história sobre o vinho e a vinícola que o produz. Situada no sul da Bulgária, bem próximo das fronteiras com a Grécia e a Turquia, a Stambolovo tem quase 80 anos de história, tendo sido fundada em 1932, nacionalizada pelos comunistas em 1947 e voltando para a iniciativa privada em 1997.
Contra-rótulo do vinho (apenas para quem lê o alfabeto cirílico…)
Esse Stambolovo Merlot 1991 faz parte de uma seleção de vinhos especiais que foram produzidos entre 1984 e 1992 para atender a elite do país, justamente na fase de transição entre o fim do regime comunista e o início da presença capitalista na economia da Bulgária. Produzido com 100% Merlot de vinhas com idade média de 30 anos, o vinho amadureceu em barricas de 450 litros de carvalho francês e búlgaro por 9 meses, afinando todo o tempo restante nas próprias garrafas.
Impressões de degustação:
Nada melhor do que a foto acima para ilustrar a linda cor vermelho cereja do vinho e seu aspecto brilhante, límpido e sem resíduos. Não resisti a tentação e transferi o vinho para dentro do decanter, servindo-o em seguida, mas mesmo assim, os aromas do vinho teimaram em permanecer tímidos, com discretos traços de terra úmida, couro e um toque de banana passa. Na boca, surgiu um caldo leve, com taninos finíssimos, acidez discreta e final já bastante tênue, mas bem equilibrado e agradável de beber. 
Um vinho que num primeiro momento poderia ser considerado inexpressivo e sem graça pelos apreciadores mais acostumados com os vinhos potentes e extraídos do Novo Mundo, mas que certamente vai agradar, ainda que movidos inicialmente pela curiosidade, aqueles enófilos que buscam apreciar as sutis nuances que somente vinhos maduros e sem excessos podem nos oferecer. Enfim, beber este vinho não é para quem busca o estilo moderno de vinificação, com muita fruta madura, força tânica, madeira bem presente ou aquela sensação quase doce provocada por altos teores de álcool (aliás, este tem apenas 12%), mas para quem busca o refinamento e a elegância das coisas simples.
Finalizando, imagine que após uma degustação com 8 grandes e poderosos rótulos de Ribeira del Duero, voltei no decanter e degustei novamente o restinho de vinho que lá estava. Para minha surpresa, a mesma delicadeza e simplicidade continuavam lá! Um belo exemplo de que o simples pode ser o suficiente…

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