Desafio australiano: Shiraz x Cabernet Sauvignon, quem leva a melhor?

Data

Shiraz x CS, Elderton x d’Arenberg, Barossa x McLaren
A Austrália ganhou notoriedade no mundo do vinho com seus potentes e perfumados vinhos varietais feitos com a casta Shiraz (ou Syrah, a grafia mais adotada no resto do mundo), vinhos que sempre receberam grandes elogios da crítica especializada, que os consideram os melhores do mundo, logo atrás dos tradicionais tintos do Rhône. 
Mas e os vinhos feitos com Cabernet Sauvignon? Será que a Austrália também os produz num nível de qualidade similar a de um grande Bordeaux? Eles poderiam suplantar ou igualar o sucesso dos vinhos feitos com Shiraz?
Mapa de South Australia
Para responder a estas perguntas, foram reunidas duas duplas de vinhos feitos com Shiraz e CS, elaborados por dois grandes produtores australianos (Elderton e d’Arenberg) e oriundos de duas zonas distintas de South Australia (Barossa Valley e McLaren Vale), uma das mais importantes zonas produtoras de vinhos do país.
Colocados lado a lado, os vinhos foram avaliados aos pares por um grupo de 11 degustadores, primeiro os dois varietais de feitos com Shiraz e, em seguida, o par de vinhos elaborados com Cabernet Sauvignon. Inicialmente, procurou-se observar o nível de qualidade de cada par de varietais, concluindo que ambos eram excelentes e representavam plenamente o grupo dos melhores vinhos feitos na Austrália. A partir daí, buscou-se analisar a tipicidade e a expressão de cada casta nos vinhos para estabelecer qual apresentava o melhor desempenho.
Elderton Command Shiraz 2005 x d’Arenberg The Dead Arm Shiraz 2003
No duelo interno entre os vinhos produzidos com Shiraz, um justo empate é a melhor tradução do elevado nível de qualidade de ambos. Tipicidade perfeita, com aromas de geléia de frutas negras, chocolate amargo, café expresso e terra úmida, repletos de taninos macios e um pouco doces (mas não enjoativos), com boa dose de acidez e final de boca longo, sedoso e intenso. Dois exemplares indiscutíveis do fascínio causado pelos varietais de Shiraz produzidos no país.
Elderton Ashmead CS 2002 x d’Arenberg The Coppermine Road CS 2005
No embate entre os CS, houve consenso para uma ligeira vantagem do Coppermine Road sobre o Ashmead, talvez por ser mais jovem (2005) e cheio da “energia” habitual dos tintos australianos. O Ashmead, por sua vez, mostrou-se mais contido, no meio do caminho entre um vinho jovem, potente e frutado; e um vinho maduro, com aromas evoluídos e taninos mais refinados e elegantes.
Enfim, como dito antes, o objetivo principal do painel era outro: estabelecer uma comparação com vinhos de mesmo nível e estilo, elaborados com Shiraz e CS. Nesta visão mais abrangente, foi possível concluir que ambas as castas mostraram que podem atingir um desempenho excelente, dentro de suas características de vinhos “Novo Mundo”, em terras australianas. 
A única grande diferença que pareceu destacar a Shiraz da CS, foi a percepção de que há uma identidade (tipicidade) particular desta casta quando cultivada e vinificada no país, algo que os vinhos feitos com CS, por melhores que sejam, aparentemente ainda não conseguiram demonstrar com precisão. 
Assim como acontece com a Malbec (Argentina), a Tannat (Uruguai), a Carmenére (Chile) e a própria CS(EUA/Califórnia), a Shiraz expressa na Austrália um caráter único, uma espécie de “fenótipo” que não podemos encontrar em outras áreas, nem mesmo no Rhône, região francesa onde tradicionalmente ela exprime seu potencial máximo (desde que não consideremos a presença impactante de um Penfolds Grange, é claro…). Por enquanto, quando falamos da casta Syrah e apontamos para a Austrália, é preciso corrigir e dizer: SHIRAZ!

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