Painel de Degustação: "Grandes Vinhos Tintos do Mundo", reunião de rótulos realmente especiais!

Data

6 grandes vinhos tintos do mundo em avaliação às cegas…
Esse painel de degustação da Desconfraria tinha o claro propósito de reunir grandes rótulos do mundo do vinho e, sem nenhuma combinação prévia, acabou colocando frente a frente, 3 grandes tintos do “Velho Mundo” contra 3 outros do “Novo Mundo”.
Como sempre fazemos, os vinhos foram degustados às cegas e não sabíamos quais eram os vinhos levados pelos demais participantes. A única diferença nesta ocasião, é que as taças de cada participante não foram misturadas, ou seja, a ordem de serviço foi igual para todos, já que tratava-se de uma degustação “aberta”, sem o caráter competitivo das demais. Mesmo assim, a avaliação seguiu com a mesma seriedade das outras e a votação dos vinhos trouxe um resultado, na minha opinião, sem surpresas…
1º colocado: Aldo Conterno Barolo Granbussia Riserva 1996 – Piemonte – Itália (WS93)
O Barolo Granbussia Riserva só é produzido em safras excepcionais, utilizando um blend de uvas nebbiolo das vinhas mais velhas de seus crus Romirasco, Cicala e Colonnello, normalmente produzidos separadamente. Após longos oito anos de afinamento em tonéis de carvalho eslavônico (32 meses) e nas garrafas, pouco mais de 700 caixas seguem para o mercado. Uma cuvée de Barolo realmente excepcional, que chegou aos 17 anos de vida em perfeitas condições, disputando palmo a palmo com o Vega Sicilia Unico (também de 1996) o posto de melhor vinho do painel.   
2º colocado: Vega Sicilia Unico 1996 – Castilla y Léon – Espanha (WS93/RP96)
O Vega Sicilia dispensa apresentações, elaborado com um blend de Tempranillo, Cabernet Sauvignon e uma pitada de Merlot, ele também amadurece longamente em uma sequência de barrica novas e usadas que dura 7 anos, seguindo depois para mais 3 anos, no mínimo, de repouso nas garrafas. Majestoso e ainda consolidando suas ótimas qualidades, fez um belo duelo com o Granbussia, ficando apenas 1 voto atrás dele. Talvez com alguns anos a mais de guarda, o resultado seria diferente.
3º colocado: Jim Barry The Armagh Shiraz 1994 – Clare Valley – Austrália (WS91)
O The Armagh é o mais sofisticado vinho de Jim Barry, feito a partir de um pequeno vinhedo de Shiraz plantado em 1968, cuja baixíssima produção de menos de 1,2 ton/ha, garante um vinho de grande concentração e riqueza. Essa rica matéria-prima amadureceu em barricas de carvalho americano e francês (50/50) por 16 meses. 
4º colocado: Château Léoville Barton 2001 – Saint-Julien – França (WS92/RP92)
Esse 2eme Cru Classé de St-Julien é resultado de um blend de 72% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot e 8% Cabernet Franc, amadurecido em barricas de carvalho francês (50% novas) por 18 meses. Como todos os grandes vinhos da margem esquerda de Bordeaux, costuma ser tânico e austero quando jovem, mas passados 12 anos de uma safra bastante acessível como a 2001, já mostrou-se bastante agradável e envolvente, podendo evoluir ainda mais nos próximos 10 anos de envelhecimento na garrafa. Talvez essa dose extra de complexidade e refinamento teria sido capaz de colocá-lo em maior destaque neste painel.
5º colocado: Opus One 1998 – Napa Valley – EUA (WS88/RP86)
Esse “ícone” americano, parceria da Barons Rothschild com a Mondavi na Califórnia, continua sem me convencer muito. Provado mais uma vez, este 1998 realmente faz jus às avaliações apenas medianas das principais publicações do ramo. Elaborado com um corte de 91% CS, 7% CF, 1% Merlot, 1%
 Petit Verdot e amadurecido por 16 meses em carvalho francês novo, esse Opus One passou pelo “constrangimento” de ser reconhecido como um vinho “chileno”. Acho que não preciso dizer mais… 
6º colocado: Almaviva 2006 – Vale del Maipo – Chile (WS93/RP92)
Mais uma “joint venture” da Barons Rothschild, desta vez com a chilena Concha y Toro, esse Almaviva 2006 foi produzido com um corte de 63% CS, 26% Carmenère, 9% CF e 2% Merlot, amadurecido por 17 meses em barricas de carvalho novo francês. Na taça, apresentou-se pouco expressivo e sem brilho. Um vinho apático, dominado pela madeira, por traços herbáceos excessivos e baixa acidez. Desequilibrado.
A conclusão que pude tirar desta degustação é que, mais uma vez, o refinamento dos vinhos do Velho Mundo, adquirido através da longa história da cultura vitivinícola europeia, ainda se sobressai indiscutivelmente sobre a potência e concentração que predomina nos vinhos do Novo Mundo, especialmente nos níveis superiores de qualidade.
Daqui há duas semanas um novo encontro com grandes vinhos, por coincidência, com vinhos do Piemonte (lar do vinho vencedor deste painel) das safras 2004 e 2005. Promete…
  

Outros Artigos

Olá, fique mais um pouco. Sou seu Wine Hunter.

Se não encontrou o que realmente procurava, deixe que eu faça isso por você.

Quero te propor a melhor experiência em nosso Marketplace de vinhos!