Direto da Adega: Latour, Lafite-Rothschild, Margaux, Mouton-Rothschild e Haut-Brion 1995, os 5 grandes tintos da margem esquerda de Bordeaux provam sua decantada qualidade!

Data

Degustação horizontal dos 5 Premiers Grands Crus Classés do Médoc, safra 1995!
Continuando o post anterior sobre essa inesquecível degustação dos grandes vinhos de Bordeaux, chegou a hora de falar mais especificamente sobre cada um dos 5 vinhos e de minhas impressões de degustação. Depois de ter degustado uma horizontal semelhante da safra 2001, alguns anos atrás, foi um grande privilégio poder apreciar estes 1995, uma safra ainda melhor e iniciando seu período de apogeu.
Para que a análise dos vinhos fique ainda mais rica, acrescentei as impressões de James Suckling (feitas ainda na Wine Spectator) e de Robert Parker (Wine Advocate) sobre cada um destes vinhos…
Château Mouton-Rothschild 1995 
Elaborado com um corte típico de 72% Cabernet Sauvignon, 19% Merlot e 9% Cabernet Franc, amadureceu por 20 meses em barricas de carvalho francês 100% novo, sendo engarrafado em junho de 1997.
Na minha avaliação, bastante similar a dos demais participantes, o Mouton foi o vinho de menor encanto dentro do painel, considerando é claro o altíssimo nível dos demais vinhos. É até possível imaginar que sua rolha, a única a se apresentar bastante úmida, possa ter contribuído para isso, mas não creio. Nenhum indício no aroma ou em seu sabor indicou uma possível oxidação. Ele exibiu aromas intensos de defumação (cinzas), de tabaco e notas mentoladas, mas no palato, seus taninos deixaram claro que ainda precisam de mais tempo para polir suas arestas. A acidez também pareceu ligeiramente fora do lugar, um pouco mais sutil do que os taninos pareciam demandar, deixando o final de boca, bastante longo, com um amargor excessivo. 
Avaliação: 92E. 
Robert Parker (WA) – 95 pontos
“Bottled in June, 1997, this profound Mouton is more accessible than the more muscular 1996. A blend of 72% Cabernet Sauvignon, 9% Cabernet Franc, and 19% Merlot, it reveals an opaque purple color, and reluctant aromas of cassis, truffles, coffee, licorice, and spice. In the mouth, the wine is “great stuff,” with superb density, a full-bodied personality, rich mid-palate, and a layered, profound finish that lasts for 40+ seconds. There is outstanding purity and high tannin, but my instincts suggest this wine is lower in acidity and slightly fleshier than the brawnier, bigger 1996. Both are great efforts from Mouton-Rothschild. Anticipated maturity: 2004-2030.”
James Suckling (WS) – 94 pontos
“Aromas of ripe fruit and grilled meat follow through to a full-bodied palate, with velvety tannins and a long caressing finish. Very beautiful wine. Mouton shows finesse yet richness in this vintage”
Château Latour 1995
Em contraste ao Mouton, o Latour mostrou-se magnífico e perfeito para ser degustado já. Eleito por unanimidade o melhor vinho da degustação, apresentou aromas ricos, complexos e intensos de caixa de charuto (cedro), café, licor de cassis e hortelã. Na boca, taninos finíssimos, potentes e macios se mesclaram com perfeição com uma acidez vivaz dentro de um corpo refinado e elegante. Final de boca longo e quase interminável! Fiquei pensando durante um bom tempo no que ele poderia ser melhor, algum ligeiro defeito que fosse, mas não encontrei. Só me restou considerá-lo perfeito!
Avaliação: 100D.
Robert Parker (WA) – 96 pontos
“A beauty, the opaque dense purple-colored 1995 exhibits jammy cassis, vanillin, and minerals in its fragrant but still youthful aromatics. Medium to full-bodied, with exceptional purity, superb concentration, and a long, intense, ripe, 40-second finish, this is a magnificent example of Latour. As the wine sat in the glass, scents of roasted espresso and toasty new oak emerged. This classic will require considerable cellaring. Anticipated maturity: 2012-2050.”
James Suckling (WS) – 94 pontos
Black licorice, cedar, cigar box and fresh herbs. Full-bodied and very structured, with firm, silky tannins and a long finish. Needs time.–’95/’96 Bordeaux retrospective. Best after 2009.
Château Margaux 1995
Fermentado em tanques de carvalho francês 100% e amadurecido de 18 a 24 meses em barricas,  este Margaux é resultado do blend de 75% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot e 5% de Cabernet Franc e Petit Verdot. 
Com o “peso” dos 100 pontos dados pela WS, o Margaux 1995 mereceu atenção ainda maior dos degustadores, e não decepcionou! Aromas poderosos de cassis, ameixas secas, azeitonas pretas, cedro, mentol e um toque de grafite encheram nossas taças. Nitidamente o menos “pronto” do painel, este Margaux ainda irá longe no quesito complexidade aromática. No paladar, a sensação foi a mesma, vinho potente, extremamente encorpado, repleto de taninos maduros mas ainda em fase final de afinamento. Acidez perfeita, integração com a madeira precisando de um pouco mais de tempo e um final intenso e duradouro. Suponho que mais 10 ou 15 anos ainda serão necessários para que ele expresse todo seu potencial. 
Avaliação: 98D.
Robert Parker (WA) – 95 pontos
The color is opaque ruby/purple. The nose offers aromas of licorice and sweet smoky new oak intermixed with jammy black fruits, licorice, and minerals. The wine is medium to full-bodied, with extraordinary richness, fabulous equilibrium, and hefty tannin in the finish. In spite of its large size and youthfulness, this wine is user-friendly and accessible. This is a thrilling Margaux that will always be softer and more evolved than its broader-shouldered sibling, the 1996. How fascinating it will be to follow the evolution of both of these vintages over the next half century. 
James Suckling (WS) – 100 pontos
Dark color. Black licorice, coffee, currants and black olives. Complex nose. A full-bodied, chewy blockbuster of a wine that is not giving anything at all away. It is like buried treasure still; you have to search for the gold. And it’s there. Fabulous. Please give this time. Best after 2014. 18,000 cases made.
Château Lafite-Rothschild 1995
Blend de 75% Cabernet Sauvignon, 17% Merlot e 8% Cabernet Franc. Amadurecimento em barris de carvalho francês 100% novo por 20 meses.
O Lafite apresentou um caráter olfativo bastante similar ao Latour, com intensos aromas de tabaco, hortelã, terra úmida e cedro. Na boca, a mesma riqueza tânica já refinada pelo tempo, acidez refrescante e com um traço ligeiramente picante. Equilibrado como o Latour, mas, comparativamente, menos exuberante. Final longo, complexo e duradouro. 
Avaliação: 98D.
Robert Parker (WA) – 95 pontos
The 1995 Lafite-Rothschild (only one-third of the harvest made it into the final blend) is a blend of 75% Cabernet Sauvignon, 17% Merlot, and 8% Cabernet Franc. The wine was showing spectacularly well when I tasted it in November, 1997. It exhibits a dark ruby purple color, and a sweet, powdered mineral, smoky, weedy cassis-scented nose. Beautiful sweetness of fruit is present in this medium-bodied, tightly-knit, but gloriously pure, well-delineated Lafite. The 1995 is not as powerful or as massive as the 1996, but it is beautifully made with outstanding credentials, in addition to remarkable promise.
James Suckling (WS) – 96 pontos
Intense aromas of blackberries, black licorice and currants, with mineral undertones. Full-bodied, with a solid core of tannins and a long, silky finish. Still holding back, but is concentrated and powerful. The 1996 is always talked about, but I think this is superior and will be in the future. Best after 2010. 20,000 cases made. 
Château Haut-Brion 1995
Talvez por estar mais distante, geograficamente falando (Pessac-Léognan), que os demais e pela maior proporção de Merlot no corte (cerca de 45%), os aromas do Haut-Brion tenham se mostrado bastante diversos dos anteriores. Aromas de cassis, cedro, hortelã e tabaco estavam presentes, mas deliciosos aromas de “farmácia” e de grafite os sobrepujaram. Na boca, exibiu taninos riquíssimos, polidos, praticamente perfeitos dentro do que se poderia esperar. Acidez balanceada, fresca e firme contrabalançaram essa riqueza tânica com maestria. Madeira bem integrada e um corpo musculoso e bem definido confirmaram a classe habitual desse vinho. Excepcional, com o bônus de quase sempre ser o de menor custo entre os cinco.
Avaliação: 97C.
Robert Parker (WA) – 96 pontos
“It is fun to go back and forth between the 1995 and 1996, two superb vintages for Haut-Brion. The 1995 seems to have sweeter tannin and a bit more fat and seamlessness when compared to the more structured and muscular 1996. Certainly 1995 was a vintage that the brilliant administrator Jean Delmas handled flawlessly. The result is a deep ruby/purple-colored wine with a tight but promising nose of burning wood embers intermixed with vanilla, spice box, earth, mineral, sweet cherry, black currant, plum-like fruit, medium to full body, a high level of ripe but sweet tannin, and a finish that goes on for a good 40-45 seconds.” 
James Suckling (WS) – 95 pontos
Sweet tobacco, blackberries and violets on the nose. Subtle. Full-bodied and very tight, with fantastic tannins and a long caressing finish. Wonderful texture. All in reserve still. Give this time. Best after 2010.

Outros Artigos

Olá, fique mais um pouco. Sou seu Wine Hunter.

Se não encontrou o que realmente procurava, deixe que eu faça isso por você.

Quero te propor a melhor experiência em nosso Marketplace de vinhos!