Painel de Degustação: Tintos Espanhóis 2004 e 2005 (exceto Ribera del Duero), deu "Toro" na cabeça!

Data

Seleção de tintos espanhóis das ótimas safras de 2004 e 2005
O tema da última degustação de maio da Desconfraria apresentou aos participantes um grande desafio: escolher o melhor vinho espanhol dentre as principais regiões do país, das grandes safras de 2004 e 2005, excetuando vinhos da região de Ribera del Duero, que será tema de uma degustação específica mais à frente.
O desafio já começou na difícil seleção de escolher em nossas adegas apenas um rótulo que pudesse se sobressair aos demais, continuando na eleição dentre os 11 ótimos vinhos presentes no painel de degustação, com vinhos da Rioja (majoritários), de Toro (que acabou tendo o vencedor), Navarra, Jumilla e Somontano, todos eles de excelente qualidade. Na medida em que se revelavam os vinhos, tivemos uma inesperada (mas merecida) surpresa na descoberta do vencedor, provavelmente, um dos de menor custo entre todos os participantes…   
Veja como ficou a classificação final do painel de degustação:
11º colocado: Casa Castillo Pie Franco 2005 (Jumilla) – Guia Peñin 95 pts

Composição: 100% Monastrell (vinhas velhas) – 18 meses em barricas de carvalho francês.
Rubi escuro, quase negro. Aromas dominados por azeitonas pretas e um leve traço de torrefação. Taninos finos, bastante encorpado e com acidez bem equilibrada. Final de boca médio e com ligeiro amargor.
10º colocado: Muga Prado Enea Gran Reserva 2004 (Rioja) – Parker 94 pts

Composição: Blend de 80% Tempranillo, 7% Garnacha, 7% Mazuelo e 6% Graciano – 12 meses em tonéis de carvalho, seguidos de 3 anos em barricas e mais 3 anos de repouso nas garrafas.
Eis aqui um vinho que sempre gostei bastante. Típica cor rubi média de Riojas já amadurecidos, repleto de aromas de frutas negras, azeitona preta, e toques de café e cedro. Bastante encorpado, mas com taninos bem polidos e estruturados.Infelizmente, pecou por uma baixa acidez relativa, que minimizou sua expressão no paladar.
9º colocado: Allende Aurus 2004 (Rioja) – Parker 98 pts

Composição: 85% Tempranillo e 15% Graciano – 24 meses em barricas de carvalho francês.
Acreditem ou não, mas este renomado vinho com 98 pontos (Parker) foi o pior vinho na minha avaliação às cegas! É bem possível que ele tenha sido aberto muito antes de seu melhor momento, mas no painel ele realmente me decepcionou. Aromas intensos de ervas finas, com notas de baunilha e madeira. Taninos potentes e um pouco duros, acidez discreta e um final excessivamente amargo. Um conjunto meio “torto” que não me agradou nem um pouco.
8º colocado: Alzânia 21 del 10 2005 (Navarra)

Composição: 100% Syrah – 12 meses em barricas de carvalho francês.
Por sua composição “estrangeira” esse vinho mostrou-se bastante diverso dos demais: aromas de ameixas, groselha, chocolate e um toque de alcaçuz dominaram a cena. Na boca, mostrou-se pronto e, de certo modo, bem elegante, com taninos polidos e fina acidez. Final de boca curto, mas bastante agradável.
7º colocado: Artadi Pagos Viejos 2004 (Rioja) – Parker 97 pts

Composição: 100% Tempranillo (Tinto Fino) de vinhas com mais de 75 anos – 18 meses em barricas de carvalho francês novo.
Cor violeta muito densa, quase negra. Aromas de ameixas, cassis, especiarias, e notas de defumados e menta. Paladar macio, com taninos exuberantes e acidez mediana, delineando seu caráter bastante moderno e que carece de vivacidade. Final de boca suculento e bastante duradouro.
6º colocado: Marques de Murrieta Castillo Ygay Gran Reserva Especial 2004 (Rioja) – Parker 92-95 pts

Composição: 93% Tempranillo e 7% Mazuelo – 29 meses em barricas de carvalho (1/3 novas).
Um vinho que sempre me agrada muito, confirmando isso na degustação às cegas. Apesar da posição geral no grupo, foi meu vinho predileto, repleto de tipicidade riojana, com aromas complexos de especiarias, café e madeira velha. Paladar intenso, com taninos finos e acidez pronunciada que se amalgamam perfeitamente num final de boca muito persistente e distinto. 
5º colocado: Muga Aro 2004 (Rioja) – Parker 98 pts

Composição: 70% Tempranillo e 30% Graciano – 18 meses em barricas de carvalho francês novo.
Outro Rioja “blockbuster“, como diria Robert Parker, de perfil moderno e dominado pelo carvalho francês. Aromas exóticos de pitanga e sálvia se destacaram no meio da onipresente fruta negra madura. Taninos vigorosos e acidez bem dosada conferiram um ótimo equilíbrio para o vinho, deixando-o claramente superior ao Artadi PV e ao Aurus neste aspecto. Final de boca muito macio e surpreendentemente leve.  
4º colocado: Campo Eliseo 2005 (Toro) – Parker 91 pts

Composição: 100% Tinta de Toro (Tempranillo) – 18 meses em carvalho francês.
Apesar da boa posição no quadro geral, não me encantou muito. Dominado por aromas de pimentão, baunilha e madeira, com taninos muito potentes e acidez aquém do desejado, resultou num vinho ligeiramente desequilibrado.  
3º colocado: Roda I Reserva 2005 (Rioja)

Composição: 100% Tempranillo – 16 meses em barricas de carvalho francês (50% novas) e mais 20 meses nas garrafas.
Ótimo conjunto de aromas, com frutas vermelhas maduras, alcaçuz e cedro. Paladar rico, com taninos elegantes, acidez bem dosada e leve dulçor no final de boca. Vinho muito bem feito e sem arestas. 
2º colocado: Irius Premium 2004 (Somontano) – Guia Peñin 95 pts

Composição: Blend de Tempranillo, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah – 18 meses em barricas de carvalho francês novo.
Outro vinho bastante redondo, sem arestas e com grande expressão aromática, particularmente de notas defumadas (bacon) e couro. Taninos finos e muito bem equilibrados pelo teor de álcool e justa dose de acidez. Final intenso e muito persistente. Um belo vinho, que ainda não conhecia (talvez pelo altíssimo preço) e que justificou sua posição no painel.
1º colocado: San Román 2005 (Toro) – Parker 92 pts

Composição: 100% Tinta de Toro (Tempranillo) – 23 meses em barricas francesas (novas) e americanas (usadas).
Ele não ficou entre os meus três preferidos, mas devo reconhecer que ele apresentou um conjunto bastante convincente de aromas (frutas negras, grafite, cedro e até mesmo um traço floral). Na boca, mostrou grande suculência e um bom nível de acidez. Talvez lhe falte uma certa “personalidade”, tão cara aos vinhos espanhóis, mas não a ponto de lhe assegurar um lugar de destaque como o obtido neste painel.
Na semana que vem, voltaremos à França, com um painel dos poderosos Châteauneufs-du-Pape das safras 2006 e 2007. Promessa de mais uma bateria de grandes vinhos!

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