Direto da Adega: Cartuxa Reserva 1996 e 2006, os rótulos e os vinhos mudaram, mas a qualidade não!

Data

Cartuxas Reserva 1996 e 2006
Os Cartuxas Reservas são, normalmente, os melhores vinhos da Fundação Eugênio de Almeida, tradicional vinícola do Alentejo. Quando alguma safra de suas safras atinge uma qualidade excepcional, parte desse Reserva é “promovida” para ser rotulada como Pera Manca, talvez o mais famoso e reconhecido vinho daquela região, uma espécie de “Barca Velha do Alentejo”.
A história que cerca o Cartuxa Reserva 1996 é particularmente interessante, justamente por causa dessa decisão qualitativa. Depois de eleger as safras 1994 e 1995 como dignas do rótulo Pera Manca, aparentemente a equipe faz a seleção ficou exigente demais e acabou não declarando Pera Manca naquele ano. Acontece que, segundo se comentou à época, concluída a fase de amadurecimento do vinho nos tonéis de madeira, o próprio presidente da Fundação Eugênio de Almeida reconheceu o equívoco e o considerou digno de ser Pera Manca, mas já era tarde…
Produzidos com as melhores parcelas de castas tradicionais do Alentejo, como a Trincadeira, a Aragonez, o Alfrocheiro e a Alicante Bouschet, cujos percentuais variam um pouco a cada ano, os Cartuxas Reservas amadurecem atualmente em barricas de carvalho francês novo por cerca de  15 meses e repousam por mais 18 meses nas garrafas. Não pude confirmar isso na Fundação Eugênio de Almeida, mas pela percepção na degustação, o 1996 parece ter sido amadurecido como o Pera Manca, nos tonéis de madeira velha com 3.000 litros de capacidade.
Impressões de degustação:
Cartuxa Reserva 1996 (ou Pera Manca 1996?)
Cor vermelho granada com o esperado halo alaranjado de evolução, límpido e sem resíduos. Aromas sutis de frutas vermelhas frescas (cerejas e framboesas), seguidas de notas terrosas, com um toque de bacon (talvez um pouco de brett?) e alcatrão. Na boca, mostrou-se refinado, complexo, dominado por uma certa rusticidade que me agradou bastante. Final de boca persistente e que demanda o próximo gole. Acho que o presidente tinha razão: merecia ser um Pera Manca “das antigas”. 
Cartuxa Reserva 2006
Cor rubi escura e bastante densa, escondendo seus quase sete anos de vida. Aromas ricas de frutas vermelhas maduras, com destaque mais uma vez para as cerejas, baunilha em profusão, notas florais e de ervas finas. No paladar, as características de vinificação parecem ter mudado um pouco o perfil do vinho, com mais maciez, taninos mais volumosos e uma acidez mais discreta. Nada que se caracterize como uma qualidade inferior, apenas a um caminho mais moderninho de fazer o vinho. Equilibrado e bem construído, mas, pessoalmente, prefiro o estilo do 1996.

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