Painel de Degustação: Borgonhas tintos 1er Cru e Grand Cru safras 2002/2003, a evolução da mutante Pinot Noir na taça!

Data

Borgonhas 2002 e 2003 presentes no painel de degustação…
Acredito que qualquer enófilo que decida degustar vinhos da Borgonha, por mais experiente que seja, sabe que vai encarar um prazeroso e intrincado desafio. Desde as distinções quase milimétricas dos diferentes terroirs, dispostos lado a lado numa mesma comuna da Borgonha, até a forma como cada pequeno produtor manipula seus vinhedos e executa sua vinificação, temos um sem-número de variáveis a considerar. Se acrescentarmos as disparidades entre duas safras tão distintas como 2002 (clássica e de alta qualidade) e 2003 (o ano mais tórrido na Europa em décadas), tudo fica ainda mais complicado…
Essa foi a premissa de mais uma degustação duplamente às cegas* da Desconfraria, onde a intenção era colocar frente a frente essa duas safras que começam a atingir seu melhor momento após uma década de amadurecimento nas garrafas. Na prática, isso acabou não acontecendo, já que das oito garrafas presentes, apenas duas eram 2002 (e do mesmo vinho). De qualquer modo, foi um belo painel para observar a evolução da mutante Pinot Noir ao longo dos anos.
*A degustação é “duplamente às cegas” porque, além de desconhecermos os outros vinhos presentes (cada um leva o seu), as taças são marcadas com números diferentes e distribuídas de forma aleatória. Assim, o primeiro vinho de um confrade, pode ser o terceiro ou o sétimo de outro participante, por exemplo. Tudo para impedir o “efeito manada” na eleição dos vinhos.
Veja como ficou a classificação dos vinhos (em ordem decrescente) após as baterias de votação:
8º lugar: Dufouleur Père et Fils Fixin Clos du Chapitre 1er Cru 2003
Realmente o vinho mais destoante do painel, com aromas desinteressantes, taninos duros, acidez mediana e final de boca meio desequilibrado.
7º lugar: Domaine Faiveley Échezeaux Grand Cru 2003
Uma surpresa! Apesar de ter sido um de meus prediletos, foi o mais votado pelos demais presentes. Aromas intensos de cerejas maduras, leve sous bois e um conjunto taninos x acidez muito equilibrado. Merecia ter ido mais longe…
6º lugar: Domaine Jacques Prieur Corton-Bressandes Grand Cru 2002
Primeiro vinho da safra 2002 do painel, um Grand Cru com ótima tipicidade, aquele delicioso sous bois que tanto me agrada nesses vinhos, boa acidez, mas que pecou por um final de boca um pouco mais amargo que o desejável.
5º lugar: Domaine Alain Michelot Nuits-Saint-Georges 1er Cru Les Cailles 2003
Aparentemente o grande mérito deste vinho foi seu excelente balanço entre os aromas de frutas vermelhas frescas, acidez e corpo médios e um final leve e refrescante. Um vinho “certinho”, com boa dose de elegância, mas sem nenhum traço marcante que o destacasse no painel. Degustado “solo”, certamente agradaria a quase todo tipo de apreciador.
4º lugar: Domaine Jacques Prieur Corton-Bressandes Grand Cru 2002
 Mais um Corton Bressandes, o único rótulo repetido da noite (justamente o 2002). Como temos “garrafas e garrafas”, esta estava superior a outra, ficando entre os meus dois vinhos prediletos. Aromas vívidos de ervas finas, sous bois, baunilha e sutil presença de madeira. Paladar elegante e com final bastante intenso.
3º lugar: Domaine Jacques Prieur Volnay-Santenots 1er Cru 2003
Mais um vinho de Jacques Prieur que se apresentou bem, com ótimos aromas de ameixa seca, terra molhada e um pequeno traço de café. Na boca, taninos bastante maduros se mesclaram brilhantemente com uma fina acidez. Final de boca muito macio e persistente. Chegou onde deveria chegar…
2º lugar: Domaine de la Vougeraie Clos de Vougeot Grand Cru 2003
Votei neste como o melhor da noite! Aromas ricos de frutas vermelhas maduras, terra úmida e um ligeiro traço de couro, formaram o melhor “nariz” da degustação. No palato, a qualidade e exuberância do olfato se confirmaram, com taninos sedosos e potentes, sem perda de elegância e escoltado por uma ótima acidez. Belíssimo vinho! Só não fiz triste por que, terminando em segundo, possibilitou que o vinho que escolhi para colocar na degustação fosse o campeão…
1º lugar: Domaine Jean-Jacques Confuron 1er Cru Aux Boudots 2003
Confesso que ele não teria ficado entre meus três primeiros, mas tenho de ressaltar algumas de suas qualidades que o levaram até aqui: ricos aromas terrosos, taninos firmes e elegantes e uma acidez bastante destacada, deixando a impressão que o calor da safra não o afetou em nada. Final de boca sutil e bastante longo. Certamente um vinho que ainda não está em sua plenitude, mas que mostrou a que veio…
A próxima etapa será no “Novo Mundo”, com Tops da Argentina (sem safra determinada).

Outros Artigos

Olá, fique mais um pouco. Sou seu Wine Hunter.

Se não encontrou o que realmente procurava, deixe que eu faça isso por você.

Quero te propor a melhor experiência em nosso Marketplace de vinhos!