Mini-vertical de Penedo Borges, os vinhos argentinos com DNA brasileiro (e capixaba)!

Data

Penedo Borges – Finca Don Otaviano 
O nome de Euclides Penedo Borges dispensa maiores apresentações no mundo do vinho brasileiro. Palestrante, professor e ex-presidente da ABS-Rio, ele teve a satisfação de realizar um sonho de muitos enófilos: produzir em escala comercial o próprio vinho, em parceria com mais quatro sócios brasleiros.
Após um bom tempo de pesquisa, o local escolhido pelo grupo para implementar seu projeto vinícola foi Mendoza, na Argentina, onde adquiriram vinhedos cuidadosamente selecionados, na região de Luján de Cuyo, de onde lançaram seu primeiro vinho há quase dez anos atrás (2004). Num gesto de reconhecimento, os demais parceiros do projeto decidiram batizar os rótulos da nova vinícola Don Otaviano, com a marca “Penedo Borges”, uma homenagem ao dedicado trabalho enológico de Euclides na elaboração dos vinhos da Finca. 
Dada esta introdução, volto a degustação em si. Recentemente um amigo resolveu abrir quatro dos malbecs já produzidos pela Penedo Borges para um grupo de amigos de Vitória, terra natal de Euclides. Entre essas garrafas, um dos dois primeiros vinhos produzidos por ele em 2004: o Malbec Roble Clássico Superior. Além desta, compuseram esta mini-vertical improvisada, o Malbec Reserva 2006, o Malbec Gran Reserva 2008 e o Malbec Reserva 2009.
Penedo Borges Malbec Roble Clássico Superior 2004
Corte de Malbec (90%) e CS (10%) com amadurecimento em carvalho francês por 12 meses e repouso de 4 meses em garrafa. 
Aos 9 anos de vida, já atingiu um ótimo momento para o consumo, com fruta madura ainda presente, notas de ameixa preta e leve traço de baunilha, paladar refinado, com taninos finos, boa acidez e sem aquele caráter “pesado” tão comum em vinhos argentinos. Beneficiado pela excelente safra de 2004, creio que este Malbec inaugurou com muito brilho a série de vinhos Penedo Borges.
Penedo Borges Malbec Reserva 2006
Neste o aporte de CS (14,4%) foi um pouco maior para equilibrar a Malbec (85,6%), passando por 10 meses de amadurecimento em carvalho (70% francês e 30% americano) e mais 11 meses de afinamento na garrafa.
Outro vinho pronto para consumo, com aromas mais complexos (café, terra úmida e frutas passificadas), paladar agradável, taninos delicados, acidez agradável, presença discreta de madeira e um final bastante macio e duradouro.
Penedo Borges Malbec Gran Reserva 2008
Elaborado com 85% de Malbec e o restante com CS e Syrah, amadurecido por 12 meses em barricas de carvalho francês/americano e posterior envelhecimento em garrafas por mais 1 ano.
Aqui já demos um salto para um vinho mais potente e parecido com os vinhos premium argentinos. Cor rubi intensa, com aromas de frutas negras (ameixas, cassis) e bastante baunilha. Na boca, taninos poderosos ainda em fase de polimento, se mescla com uma boa acidez e um corpo um pouco adocicado, típico da Malbec. Um conjunto promissor, mas que precisa de mais um bom tempo para se revelar por completo.
Penedo Borges Malbec Reserva 2009
Corte similar ao Reserva 2006, com 85% de Malbec e o restante de CS. Amadureceu por 10 meses em carvalho francês/americano e afinou mais 6 meses em garrafa.
Vinho bastante parecido com o GR 2008, um pouco menos encorpado e doce, deixando-o mais fácil de beber agora. A presença de madeira ainda não se integrou perfeitamente ao vinho, escondendo um pouco de sua acidez. Creio que também precisa de um pouco mais de tempo para exibir todo o seu potencial. 
Em resumo, a apreciação destes quatro vinhos com lapso de tempo de 5 anos entre eles, me deixou bastante seguro para dizer que é um orgulho ver a evolução do trabalho de meu mestre (e de muitos mais) Euclides Penedo Borges na elaboração de vinhos, argentinos, sem dúvida, mas com “DNA” capixaba e brasileiro.
Que ele me perdõe a “ousadia” de tentar avaliar seus vinhos…

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