Painel de Degustação: Borgonhas Tintos Grands Crus, a tropa de elite dos vinhos elaborados com a caprichosa casta Pinot Noir!

Data

Grands Crus da Borgonha degustados…
Desconfraria reuniu-se mais uma vez para realizar um painel de degustação de Grands Crus Tintos da Borgonha, porém, sem estabelecer limitações de safra (ou safra livre como costumamos dizer). Essa degustação teve uma outra particularidade, diferentemente das anteriores, essa foi uma degustação parcialmente “aberta”, ou seja, pudemos conhecer previamente os vinhos que participariam da degustação, mas não sua ordem de serviço nas taças (cuja posição era idêntica para todos). Em resumo, o caráter “competitivo” das degustações anteriores não existiu aqui.
Como citei no título da postagem, a categoria Grand Cru reúne a elite dos vinhos da Borgonha, no caso dos tintos, o que há de melhor em termos de Pinot Noir. Nomes de Grands Crus como Clos de Vougeot, Echezeaux, Musigny, Vosne-Romanée, entre outros, povoam a mente de qualquer enófilo quando pensam nos melhores vinhos da região.
Conheça os vinhos degustados (pela ordem) com minha impressões sobre eles e a avaliação geral do grupo de degustadores:
Louis Latour Château Corton Grancey 2002
Este é na verdade um curioso “blend” de Grands Crus de Corton, mesclando uvas dos vinhedos de Les Bressandes, Les Perrières, Les Grèves e Clos du Roi, cujas proporções variam de acordo com a safra. O nome “Grancey” é uma homenagem aos últimos proprietários do Château situado na estrada de Corton, antes que a família Latour o adquirisse no final do século XIX.
Ao que parece, esse Grand Cru “blend” do Louis Latour não alcançou seus objetivos, mesmo sendo elaborado na excelente safra 2002. Apresentou-se muito evoluído, tanto na cor quanto nos aromas, dominados por uma nota excessiva de couro, que quase encobria a delicada presença do aroma de cereja madura. Na boca, o resultado também não encantou, levando-nos a suspeitar de uma garrafa com problemas. Em resumo: começamos pelo pior vinho do painel.
Vincent Girardin Corton Bressandes 2009
Tendo iniciado sua carreira vinícola em 1980 com apenas 2 hectares herdados de seus pais, Vincent Girardin possui hoje mais de 20 hectares espalhados por 8 comunas da Côte de Beaune, nos quais procura fazer um vinho da maneira mais natural possível.
Esse Corton Bressandes da já consagrada safra 2009 mostrou-se bastante típico, com bela cor vermelho escuro, como as cascas das cerejas maduras que aparecem em seus aromas. Notas de alcaçuz e “sous bois“, aquele inconfundível aroma de frutas do bosque, também se apresentaram com grande intensidade. Na boca, sua inegável juventude não o impediu de oferecer um conjunto equilibrado e extremamente agradável no palato. Acidez incisiva e taninos perfeitamente maduros o deixaram pronto para ser degustado. O único aspecto no qual ele talvez tenha ficado “devendo”, foi no final de boca, um pouco curto para um vinho desse quilate. No cômputo geral, terminou em 5º lugar.
Frédéric Magnien Echezeaux 2009
Depois de ganhar experiência trabalhando com outros produtores da Borgonha e do exterior, Frédéric Magnien iniciou em 1995 sua própria marca, cujo objetivo principal era diferenciar o trabalho de viticultor do de enólogo, ou seja, sem possuir vinhedos próprios, ele prestava consultoria para os produtores com quem colaborava e selecionava as melhores parcelas de vinhas velhas para comprar. Assim, ele pode explorar, vinificar e envelhecer seus vinhos segundo sua própria percepção e experiência. A Maison Frédéric Magnien começou em 1995 com 21 barricas de carvalho e hoje possui cerca de  1.000 delas. 
No vinho, o resultado foi dentro do esperado, um Echezeaux rico, carnudo, com acidez perfeita e ótimo corpo, prometendo ótima capacidade de guarda para ganhar complexidade. Aromas de cerejas maduras e um leve traço defumado enriqueceram-no ainda mais. Excelente vinho que ficou como o 3º melhor da noite.
Domaine A. F. Gros Echezeaux 2006
O Domaine foi criado em 1988, quando os pais de Anne-Françoise, lhe passaram algumas parcelas dos vinhedos da família Gros, inclusive em Flagey-Échezeaux. Posteriormente, ela e seu marido, François Parent, adquiriram mais vinhedos em Savigny-les-Beaune e em Pommard, baseando suas instalações de vinificação em Beaune. 
Proveniente do Champs Traversins, esse Echezeaux 2006, já apresentando alguma maturidade, combinou perfeitamente a riqueza concentrada da fruta madura com taninos elegantes e uma acidez refrescante e intensa. No olfato, as notas típicas de cerejas maduras, blueberries, trufas e até um toque de baunilha, completaram esse conjunto muito sedutor e que ainda tem bons anos de vida pela frente. Final de boca  macio e prolongado. O melhor da noite, ao lado do Musigny (o que por si só, já é um grande feito).  
Vincent Girardin Clos de Vougeot 2007
Outro ótimo vinho de Vincent Girardin, este Clos de Vougeot vem da minúscula parcela do produtor (0,7 ha) dentro deste famoso vinhedo. Com uma coloração rubi média muito brilhante, exalou aromas potentes de cerejas maduras, com notas de ervas, trufas e discreta madeira. Na boca, mostrou-se encorpado, volumoso e raçudo, com um bom equilíbrio entre a fruta madura, sua fina acidez e taninos suaves e refinados. Clássico! No painel, ficou ligeiramente atrás do Echezeaux de Frédéric Magnien, em 4º lugar.
Jacques Prieur Musigny 2001
Um Musigny praticamente dispensa apresentações, especialmente este de Jacques Prieur, degustado e comentado há uns seis meses atrás aqui no blog (veja no link). Nada mudou em sua excelência no apogeu de seus quase 12 anos de existência. Rico nos aromas típicos de um Borgonha evoluído (cereja fresca, framboesa, ervas finas, trufas e notas de mel), com um balanço impressionante entre taninos finos e uma delicada  acidez, este Musigny não poderia estar em outro lugar senão o primeiro do painel (ao lado do Echezeaux 2006, de Anne-François Gros). Soberbo!
Depois destes maravilhosos Borgonhas Grands Crus, a próxima parada da Desconfraria será nos Supertoscanos das safras 2004 e 2005. Aguarde!

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