O "assustador" mundo do vinho de 2058!

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A entrada do Château Sungod, vinícola em Shacheng, na Província chinesa de Hebei — o país deve ser o maior consumidor e o maior produtor de vinhos daqui a 45 anos, segundo um estudo da Berry Bros. e Rudd. Eis que um amante do vinho tem uma síncope e, logo depois, entra em coma profundo. Acorda só em 2058 e, para comemorar o fim dessa longa hibernação, sai à procura de algo para saciar uma sede de 45 anos. A sua surpresa é enorme. O mundo do vinho definitivamente não é mais o mesmo.
Esse nosso amigo recém-desperto entra num supermercado, mas não consegue encontrar mais vinhos do Novo Mundo identificados por seus fulgurantes chardonnays e malbecs, nem os do Velho Mundo classificados por suas origens, como são hoje os barolos, riojas, douros, côtes du rhône ou chiantis. Na venda em massa, os vinhos passaram a ter uma identidade visual parecida com a das cervejas ou refrigerantes. Ali no supermercado ou em algum bar, ele pedirá um tinto light, por exemplo, algo bem genérico. Afinal, o cenário passou a ser de total domínio das grandes corporações, que mesclam líquidos vindos de várias partes do mundo para alcançar um padrão homogêneo nos seus produtos.
Terroir? Vinhos de grande caráter? Isso é só para muito poucos – aqueles que podem pagar muito.
Garrafas e rolhas? Para quê? Afinal, em 2058 o ecologicamente correto é “engarrafar” em caixas longa vida, muito mais fáceis de produzir e de reciclar. O vinho que enche essas caixas chegou de plagas distantes em navios-tanque equipados com uma grande bolsa de plástico que pode armazenar milhares e milhares de litros. 
A “geopolítica” vinícola também é outra nessa segunda metade do século XXI. Em volume, a China é o maior produtor mundial. Muita coisa de baixa qualidade, mas o que espanta o amante de vinhos vindo de outra época é que alguns vinicultores chineses rivalizam agora com os grandes châteaux franceses – pelo menos aqueles châteaux que ainda fazem coisas boas.
Com o aquecimento global, as áreas plantadas foram se deslocando para latitudes cada vez maiores. Regiões vinícolas que eram tradicionais no começo do século estão em decadência e algumas até mesmo já abandonaram suas parreiras em busca de cultivos mais rentáveis.
A Champagne, por exemplo, já não faz mais as melhores borbulhas do mundo, pois está quente demais para isso. Quer espumante de melhor qualidade? Pois eles vêm da Inglaterra ou até mesmo na Noruega.
Na América do Norte, os potentes cabernets e os populares zinfandel da Califórnia são coisa do passado. A produção de ponta está no Canadá. No Hemisfério Sul, a Austrália praticamente deixou de fazer vinhos e a Argentina tem de resto apenas algumas bodegas no estilo boutique.
Uma coisa não mudou. O preço dos grandes vinhos continuou em escalada. Cada vez mais raros, eles se tornaram troféus disputadíssimos, principalmente entre os chineses. Uma caixa de Château Lafite 2005, que teve um preço de lançamento de cerca de £ 10 mil, será comprada em leilão por mais de £ 10 milhões.
A força propulsora do mundo vitivinícola definitivamente se mudou para a Ásia, onde bilhões de ávidos consumidores entraram no mercado.
Todo esse cenário faz parte de um estudo chamado “O Futuro do Vinho”. Ele foi elaborado em 2008 por quatro especialistas da casa londrina Berry Bros. e Rudd (BBR), uma das mais antigas e prestigiadas negociantes do mundo – a ideia era marcar o aniversário de 310 anos da sua fundação. Não foi uma brincadeira feita por corretores de vinho que não tinham o que fazer. O relatório é assinado por três galardeados com o título de Master of Wine – e o outro simplesmente carrega o sobrenome Berry.
Cinco anos atrás, o relatório da BBR criou um frisson no mundo do vinho e houve gente que achou graça e classificou tudo como exagero. Só que as previsões estão se tornando realidade muito mais depressa do que se poderia ter imaginado.

Por Rodrigo Uchoa

Leia a matéria completa no link do Valor Econômico

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